Alternativas para reduzir o analfabetismo funcional no Brasil

Enviada em 17/12/2020

A Constituição Federal de 1988 assegura o acesso à educação como dever e direito de todos os cidadãos. No entanto, na prática, a garantia não é exercida com êxito, visto que perpetua uma alta taxa de analfabetismo no Brasil. Ademais, o IBGE levantou dados sobre as diferenças regionais e raciais de alfabetização. Assim, a partir de estudos e pesquisas a respeito da precarização da educação pública brasileira, torna-se fundamental a intervenção do governo para contornar a situação desigual do país.

Cabe mencionar, em primeira plano, o conceito de capital na sociologia de Pierre Bourdieu, que amplia a concepção marxista de acúmulo financeiro, integrando também o capital social, cultural e simbólico. Nessa linha de pensamento, nota-se que o capital econômico limita os demais abordados pelo sociólogo, uma vez que espaços culturais tornaram-se elitizados. Portanto, no cenário atual, o campo educacional é um exemplo de reprodução de valores dominantes e segregação, já que acentua desigualdades entre os estudantes, como apontou a pesquisa do IBGE.

Ademais, é pertinente destacar a Revolução Técnico-Científico-Informacional, com o desenvolvimento tecnológico, que proporcionou a aplicação maciça da ciência nas atividades cotidianas, de modo a facilitar o modo de vida do povo. Por conseguinte, a tecnologia aliou-se ao sistema educacional como uma ferramenta de ajuda e incentivo ao processo de aprendizagem e domínio do código alfabético. Entretanto, esse ambiente eletrônico não é a realidade de todo o Brasil por causa da exclusão digital, em que certas camadas sociais estagnaram-se à margem do fenômeno das redes e da informação.

Torna-se evidente, portanto, que a taxa de analfabetismo é elevada, principalmente entre as regiões alheias ao processo tecnológico e educação cultural. Nessa ótica, é imperativo que o Governo Federal direcione recursos para as áreas marginalizadas da periferia, por meio da definição de uma agenda econômica que democratize o direito à tecnologia e à informação. Além disso, cabe à mídia, por meio de blogs e correntes de pensamento, pressionar o governo para a realização efetiva do Plano Nacional de Educação, de modo a proporcionar à população todos os demais capitais conceituados por Bourdieu. A partir dessas ações, espera-se que a concretização do direito educacional e cultural, previsto na Constituição de 1988, deixe de ser uma utopia no Brasil.