Alternativas para reduzir o analfabetismo funcional no Brasil
Enviada em 14/12/2020
De acordo com a Constituição de 1988, a educação é direito de todos, visando ao pleno desenvolvimento do indivíduo e ao exercício da cidadania. Contudo, essa garantia da Carta Magna do Brasil não é uma realidade no país, tendo em vista o analfabetismo funcional ainda presente na sociedade brasileira, o qual é ocasionado, sobretudo, pela precariedade do sistema educacional. Nesse sentido, cabe analisar o modelo de ensino e a descrença na educação brasileira como enfrentamentos a serem superados, na tentativa de combater a problemática em questão.
Em primeira análise, a aprendizagem passiva evidencia a perpetuação do analfabetismo funcional. Sob esse aspecto, no livro " Pedagogia da Automonia", o educador Paulo Freire defende que a construção de saberes deve ser executada pelo aluno, respeitando sua individualidade e suas limitações. Nesse viés, o que se observa infelizmente, no Brasil,é um tipo de ensino em que o professor incute, de forma desmedida, conteúdos no estudante, que, por sua vez, não consegue absorver de forma plena as habilidades mínimas necessárias de interpretação, de leitura e de efetuar operações matemáticas. Visto isso, é indubitável que o sistema educacional brasileiro carece de uma reforma freiriana em sua estrutura.
Em segunda análise, a falta de interesse de discentes e de docentes por um ensino de qualidade contribui para a manutenção de analfabetos funcionais no Brasil. Isso porque, conforme o sociólogo Darcy Ribeiro, acontece nas escolas públicas brasileiras o “Pacto da Mediocridade”, segundo o qual, os alunos fingem aprender e os professores fingem lecionar. Dessa maneira, afirma-se que a educação básica brasileira está comprometida por um padrão de ensino incapaz de desenvolver e potencializar efetivamente as capacidades dos alunos. Assim, enquanto essa descrença no sistema educacional se mantiver, o Brasil será obrigado a viver com um dos mais graves problemas para a redução do número de analfabetos: o sucatemento da educação.
Logo, medidas são cruciais para enfrentar o analfabetismo no Brasil. Portanto, faz-se necessário que o Governo Federal, na condição de garantidor dos direitos individuais, estabeleça um novo modelo de aprendizagem, por meio da elaboração de uma grade curricular voltada para a autonomia e para o desenvolvimento pleno do aluno. Dessa forma, será possível aumentar o interesse dos discentes e docentes pela educação e, consequentemente, melhorar as capacidades e as habilidades dos estudantes. Assim sendo, o analfabetismo funcional será combatido e a Constituição Federal poderá ser respeitada.