Alternativas para reduzir o analfabetismo funcional no Brasil

Enviada em 12/01/2021

Na obra “Utopia”, do escritor inglês Thomas More, é retratada uma sociedade perfeita, na qual o corpo social padroniza-se pela ausência de conflitos e problemas. No entanto, o que se observa na realidade contemporânea é o oposto do que o autor prega, uma vez que o elevado índice de analfabetismo funcional no Brasil tem se tornado um impasse, o qual dificulta a concretização dos planos de More. Esse cenário antagônico é fruto tanto da baixa qualidade do ensino básico brasileiro, quanto do escasso incentivo à leitura. Diante disso, torna-se fundamental a discussão desses aspectos a fim do pleno funcionamento do corpo social.

Cabe mencionar, em primeira instância, o defasado ensino básico do Brasil como ponto relevante à temática. Conforme o filósofo estoico Sêneca, a educação deve ser tratada com maior atenção, pois ela influi sobre toda a vida. Quanto a isso, sabe-se que a escola deve ser um ambiente de aprendizagem e preparação do indivíduo para a vida. Porém, isso não tem ocorrido, tendo em vista que o atual sistema de ensino brasileiro não tem visado a qualidade da formação dos alunos, mas a quantidade de indivíduos formados, o que contribui para a falta de resolução do revés, já que é no ensino básico que o senso crítico e a capacidade de interpretação são moldados. Essa postura tem sido refletida nos dados obtidos pelo Índice de Analfabetismo Funcional (Inaf), que indicam que 30% dos brasileiros são analfabetos funcionais. Dessa forma, é urgente uma maior atuação do serviço público na área da educação para que esse quadro seja amenizado.

Ademais, a falta de estímulo à leitura é outro fator que contribui para a perpetuação do problema. Nesse sentido, embora a leitura seja uma importante aliada na redução do analfabetismo funcional, infelizmente, essa prática ainda é pouco incentivada, pois não é apresentada de maneira atrativa nas escolas, gerando um desinteresse por esse hábito nos indivíduos. De acordo com O Globo, o brasileiro lê, em média, apenas 4 livros por ano. Esse comportamento faz com que as habilidades de interpretação do sujeito não sejam desenvolvidas de forma eficaz, tornando-o analfabeto funcional.

Fica claro, portanto, que medidas são necessárias para a resolução do obstáculo. Desse modo, compete ao Estado, por intermédio de verbas governamentais, investir na melhoria do ensino básico, através da ampliação da capacitação do corpo docente, a fim tonar esse sistema voltado a um ensino de qualidade. Outrossim, a Escola, mediante a atuação do Ministério da Educação, deve incentivar a prática da leitura, por meio da promoção de feiras do livro, com intuito de tornar essa prática mais atrativa, fazendo, assim, que os estudantes desenvolvam esse hábito tão importante. Com isso, o índice de analfabetismo funcional será reduzido e a coletividade se assemelhará à Utopia de More.