Alternativas para reduzir o analfabetismo funcional no Brasil
Enviada em 14/12/2020
Segundo o pensamento do filósofo John Locke, ler fornece ao espírito materiais para o conhecimento, mas somente o ato de pensar possibilita a posse do que é lido. De acordo com essa ótica, pode-se depreender que o processo de compreensão e reflexão de um texto é o de maior importância em todo o ato de leitura e aquisição de conhecimento. Em outras palavras, a deficiência na habilidade de domínio textual, em todas as suas formas, compromete intelectualmente a população pensante do país. Nesse sentido, pode-se afirmar que a atual estruturação educacional e a dinamização dos meios de comunicação agravam essa problemática.
Convém ressaltar, em primeiro plano, que o problema se origina nas principais instituições responsáveis pelo combate a esse cenário. De acordo com o Inep (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais) mais da metade das escolas brasileiras não contam com uma biblioteca. Sob esse viés, faz-se possível a compreensão de que as instituições de ensino se estruturam erroneamente em sua obrigação de preparar os alunos para se desenvolverem como leitores e membros com capacidade crítica na sociedade. Isso se deve não apenas a falta de espaços voltados para a leitura, como também nos métodos de ensino e estímulos adotados, que se apresentam estagnados em modelos ultrapassados, baseados em leituras complexas e desinteressantes.
Em segundo plano, deve-se analisar também a realidade na qual os analfabetos funcionais se encontram. Segundo pesquisa realizada pelo Inaf (Instituto Nacional de Alfabetismo Funcional), 30% da população brasileira é considerada analfabeta funcional, e grande parte dela utiliza redes sociais frequentemente. Assim sendo, através de uma análise da formação dos textos e métodos de comunicação presentes nos sites de interação social, pode-se perceber que a forte presença dessa parcela da sociedade nas redes sociais se justifica na dinamização do processo comunicativo no âmbito digital. Isto é, o grande crescimento da adoção de formas reduzidas de comunicação, como memes e abreviações textuais se representam no atual comportamento dos usuários em buscar gastar o menor tempo e atenção possível na formação e compreensão de textos.
Logo, fica evidente que a estruturação acadêmica pouco estimuladora e a priorização por comunicações dinâmicas constituam os principais obstáculos na diminuição do analfabetismo funcional no Brasil. Nesse âmbito, cabe aos Ministérios da Educação e da Cultura reestruturar a relação dos brasileiros com a literatura, por meio da instauração de bibliotecas digitais nas escolas e atividades acadêmicas com celebridades das redes sociais, para que a diversão desses sites possa se conciliar com o desenvolvimento da habilidade de descodificar conteúdos escritos no país.