Alternativas para reduzir o analfabetismo funcional no Brasil

Enviada em 14/12/2020

Theodor Adorno, em sua obra “Dialética do Esclarecimento”, defende um projeto de libertação do homem da opressão e massificação, por meio de uma ampla formação humanística. Para o filósofo alemão, o homem deve caminhar na direção de uma consciência crítica baseada na dignidade e no respeito às diferenças. Considerando essa perspectiva na análise da conjuntura atual, tem-se a questão das alternativas para reduzir o analfabetismo funcional no Brasil, o que revela como a sociedade hodierna ainda possui uma longa trajetória para se atingir um mundo social mais equilibrado.

Em primeira análise, a alfabetização como fenômeno social, auxilia o indivíduo a ver o mundo de modo mais crítico e reflexivo. Em suas dimensões éticas e criativas, torna-se ainda, ferramenta para o protagonismo da criança, contribuindo para promover a construção do conhecimento, em um mundo cada vez mais massificado. Nesse sentido, o processo educacional tem um papel fundamental na formação do indivíduo, como ser autônomo, na medida em que contribui para a compreensão de textos e análise crítica de assuntos que o cercam. Paradoxalmente, entraves como o analfabestismo funcional, em que o indivíduo demonstra incapacidade no entendimento de textos simples mesmo sendo alfabetizado, afetam profundamente seu princípio de desenvolvimento integral do cidadão.

Ademais, nota-se que analfabetos funcionais são mais propensos a divulgarem “fake news”, ou seja, informações falsas a respeito de um assunto. O fato analisado é comprovado por meio de uma pesquisa feita pelo Instituto de Alfabetismo Funcional (Inaf), que indica que a cada 10 brasileiros alfabetizados, 3 são incapazes de entenderem o que estão lendo. Desse modo, consequências negativas como, dissipação de notícias sem a compreensão da leitura e falta da formação crítica satisfatória na análise de conteúdos são recorrentes da problemática apresentada. Sendo assim, há o rompimento no artigo 6º da constituição federal brasileira, que diz respeito à direitos sociais, como o da educação.

Em suma, fica evidente a necessidade de ações conjuntas promotoras do bem-estar social. Por isso, o Ministério da Educação, como intrumento de metamorfose social, deve realizar palestras acerca da importância da alfabetização na formação do pensamento das crianças, por meio de escolas, associações de bairro e divulgação pela mídia, de modo a ampliar a contrução da análise crítica dos indivíduos. Somente assim, poderemos seguir os preceitos de Theodor Adorno e guiar os passos humanos na direção de um mundo social mais equilibrado, com alternativas para reduzir o analfabetismo funcional no Brasil.