Alternativas para reduzir o analfabetismo funcional no Brasil

Enviada em 14/12/2020

Na fantasia dos livros de “Harry Potter”, da escritora J.K. Rowling, é retratado um mundo mágico, em que se apresenta diferentes nomenclaturas para os bruxos, dentre elas, destacam-se os “abortos” (casos raros de humanos nascidos em uma família de feiticeiros, mas, não herdaram o dom para essa façanha). Nesse contexto, mesmo que tenham acesso a todo tipo de informação, indivíduos abortados são incapazes de aprender e dominar a magia. Fora da ficção, é notório que, no Brasil, ainda que tenham sabido ler e escrever, o número de pessoas inabilitadas para a realização de tarefas mais complexas referentes à instrução recebida é um fato que revela o analfabetismo funcional como um problema para a nação. Dessarte, cabe analisar as principais causas e consequências desse fenômeno.

Em primeiro lugar, é válido destacar a negligência governamental em relação ao incentivo à educação, como um importante motivador desse óbice, uma vez que as escolas não têm projetos que estimule o aluno e ofereça um ensino eficaz que promova, neste estudante, um maior apreço pela educação. Consoante dados divulgados em 2018, pelo Instituto Paulo Montenegro, o Brasil supera a marca de 38 milhões de analfabetos funcionais, e isso está, de maneira lamentável, diretamente ligado à péssima política de atuação educandária brasileira. Desse modo, é inaceitável que em um país signatário da Declaração Universal dos Direitos Humanos, o Estado não se atente a melhorar o deplorável sistema pedagógico-educacional brasileiro.

Por conseguinte, é possível afirmar que a especialização para o mercado de trabalho é pontualmente afetada, haja vista que, por conta da péssima estrutura de ensino das escolas brasileiras, o analfabeto funcional enfrenta problemas para se perpetuar como cidadão habilitado para o meio trabalhista. De acordo com a pesquisa publicada em 2020 pela Confederação Nacional da Industria (CNI), 50% das empresas brasileiras afirmam que têm grandes dificuldades com a falta de mão de obra qualificada, o que evidencia a precariedade instrutiva do país. Assim, enquanto a defasagem escolar for uma regra, o letramento eficaz será uma exceção para o Brasil.

Fica claro, portanto, que medidas são necessárias para resolver esse problema. O Ministério da Educação deve, por meio de parcerias público-privadas ligadas ao letramento da população infanto juvenil, criar projetos de incentivo à leitura com livros não didáticos, com o fito de, desse jeito, reduzir o grande índice de analfabetismo funcional no território brasileiro. Ademais, é necessária uma reformulação e padronização da metodologia de ensino, visando a formação e qualificação desses indivíduos para o meio trabalhista. Dessa maneira, assim como a história criada pela J.K., indivíduos analfabetos serão tão raros quanto bruxos abortados.