Alternativas para reduzir o analfabetismo funcional no Brasil

Enviada em 16/12/2020

No livro " Memória Póstumas de Brás Cubas “, escrito por Machado de Assis, a personagem principal relata que não teve filhos e não transmitiu a nenhuma criatura do legado da nossa miséria. Talvez hoje ele percebesse acertada a sua decisão: a falta de políticas públicas por parte do Estado e a exclusão social sofrida por essa minoria, que contribuem para o aumento dessa problemática. Por isso, cabe analisar esses fatores e buscar alternativas para combater essa

Primeiramente, é válido considerar o défict de projetos educacionais para as escolas brasileiras. Consoante a Constituição Federal de 1988, conjunto de leis que rege o país, todo cidadão tem direito à educação. Entretanto, não é esse cenário que o Brasil se encontra, já que, atualmente, existem 11,3 milhões de pessoas analfabetas, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Dessa forma, configura-se uma situação precária para os estudantes brasileiros, uma vez que as escolas não oferecem um bom suporte e muitas pessoas deixam de frequenta-lá, assim a causar uma outra consequência : a evasão escolar. Logo, é intolerável que o Estado não garante e acabe por ferir os direitos sociais que a Carta Magna impõe.

Outrossim, também é necessário ressaltar as desigualdades sociais presentes na socidade brasileira. Segundo Mário Cortella, filósofo brasileiro contemporâneo, o analfabetismo funcional é um crime social, ou seja, ligado as desigualdades sociais. Nesse sentido, existe uma marginalização e uma segregação socioespacial no Brasil, posto o afastamento e a dificuldade por parte da população de baixa renda em ter acessos a bons recursos. Enquanto isso, as pessoas com uma renda superior conseguem ter acesso a melhores condições de vida, assim essa situação implica na coesão social do país. A título de exemplificação, o Censo de 2010 mostra que as áreas periféricas possuem os maiores índices - 8,6% - de analfabetismo em comparação com as áreas urbanas regulares, 4,3%. Por conseguinte, é inadmissível que as classes mais baixas não tenham os mesmos recursos.

Urge, portanto, é visto que a necessidade de combater o analfabetismo funcional no Brasil. Então, o Ministério da Educação, responsável pela educação dos brasileiros, deve promover melhorias no ensino e na infraestrutura das escolas, por meio da destinação de verba. Espera-se, com isso, comprar bibliotecas e reformular as salas de aula, além de diminuir a evasão escolar e o analfabetismo no país. Ademais, o Governo Federal, órgão que administra os interesses federais, tem que oferecer melhores condições a população situada em áreas periféricas. Isso vai ocorrer, mediante a reforma nas favelas e a melhoria das estruturas. Dessarte, o propósito de diminuir as desigualdades sociais vai se concretizar e Brás Cubas vai ter orgulho do legado deixado pelo país, sem nenhuma miséria.