Alternativas para reduzir o analfabetismo funcional no Brasil
Enviada em 17/12/2020
A obra “A Hora da Estrela”, de Clarice Lispector, retrata a situação psicológica da personagem Macabéia: uma garota jovem, alienada e analfabeta funcional que enfrenta muitos obstáculos para desenvolver-se em meio à sociedade devido a sua dificuldade em compreender os códigos linguísticos. Em paralelo com a Literatura, o Brasil hodierno vive uma crise para solucionar a problemática do analfabetismo funcional em seu território, uma vez que a falta de investimentos em recursos pedagógicos e a subestimação do hábito da leitura são as principais causas desse impasse.
De fato, o alto índice de analfabetos funcionais tem se tornado uma questão em pauta no país. Segundo o Institudo Nacional de Geografia e Estatística (IBGE), 29% dos brasileiros são incapazes de compreender textos simples, bem como realizar operações matemáticas mais elaboradas. Esse dado evidencia a precariedade de investimentos estatais em recursos pedagógicos, já que as instituições educacionais abdicam de seus principais objetivos — como a qualidade social e a garantia sistemática de apropriação do conhecimento — para formar alunos que não superam o nível rudimentar de proficiência. Sendo assim, a falta de verbas financeiras corrobora com as falhas nas buscas de alternativas viáveis para o combate desse fenômeno que caracteriza um preocupante problema social.
Paralelamente, sabe-se que a subestimação do hábito da leitura é um fator crucial para a ascenção do analfabetismo funcional. Nessa linha de raciocínio, o filósofo Jeremy Bentham defende, a partir da ética utilitarista, que as ações sociais devem ser pautadas no caráter pluralista, com o intuito de beneficiar a maior quantidade possível de cidadãos. No entato, ao analisar os índices de analfabetos funcionais, verifica-se a não efetivação desse pressuposto no Brasil, pois a falta de incentivo à leitura no âmbito familiar e educacional agrava os entraves para o desenvolvimento da problemática. Esse fator, configurado por ferramentas estatais que não interagem de maneira análoga com os compromissos educacionais, é um dos grandes responsáveis pela atual crise da alfabetização no país. Portanto, é mister que o Ministério da Educação (MEC) crie políticas de entendimento acerca da real importância da leitura na sociedade, por meio de debates e propagandas no rádio e na TV aberta em horário nobre, já que esse período permitirá que a informação seja acessível a um número maior indivíduos, a fim de que os jovens possam entender e refletir sobre as reais consequências do analfabetismo funcional. Ademais, cabe ao Governo Federal investir, a partir de verbas financeiras, em recursos tecnológicos para as escolas de rede pública, a fim de promover, com respaldo técnico e popular, instituições capazes de formar alunos que possam compreender os códigos linguísticos. Dessa forma, será possível constituir uma realidade diferente daquela apresentada em “A Hora da Estrela”.