Alternativas para reduzir o analfabetismo funcional no Brasil

Enviada em 27/12/2020

Paulo Freire, educador brasileiro, afirma que ninguém opta pela miséria ou pela tristeza, que ninguém é analfabeto por opção. Analogamente, o analfabetismo funcional no Brasil não é uma escolha e sim um crime social. O fato de muitos brasileiros não conseguirem interpretar textos ou realizar operações matemáticas simples se deve ao sucateamento da educação básica e a evasão escolar. Como resultado, o Brasil continua formando profissionais limitados e cidadãos sem o poder de senso crítico.

Para ilustrar o descaso com o ensino básico, uma pesquisa feita pela BBC revela que o Brasil investe como países europeus na educação superior ao mesmo tempo que é uma das nações que menos investe em ensino primário. Conforme a análise sociológica de Darcy Ribeiro, as escolas brasilerias vivem um pacto de mediocridade, o professor finge ensinar e o aluno finge aprender, consequência advinda da falta de infraestrutura das escolas, da desvalorização do professor e do desânimo dos alunos. Fatos que refletem diretamente na falta de qualificação dos profissionais e no desemprego.

Ademais, o Mapa do Analfabetismo mostra que ele é vinte vezes maior entre os pobres, dado que contrasta diretamente com um dos objetivos do milênio propostos pela ONU de universalizar a educação primária. Em acréscimo, de acordo com o MEC, a evasão escolar acontece principalmente motivada pela gravidez na adolescência, e sem a assistência financeira da família a educação se torna algo secundário.

Portanto, para mitigar a tristeza, a miséria e o analfabetismo é preciso tomar medidas sólidas no ensino básico. Assim, cabe ao MEC com o apoio financeiro municipal garantir melhorias na infraestrutura das unidades escolares e na valorização do corpo docente, por meio de reformas condizentes com a necessidade de cada espaço (como a inserção de internet, computadores e aperfeiçoamento das bibliotecas) e do aumento salarial dos professores. Além disso, as escolas em parceria com Unidades Básicas de Saúde da região devem promover campanhas sobre a prevenção de gravidez na adolescência, por meio de palestras e diálogos em grupo. Dessa maneira, será possível construir um país de cidadãos com maior capacidade analítica e um futuro profissional promissor.