Alternativas para reduzir o analfabetismo funcional no Brasil

Enviada em 18/12/2020

Segundo o filósofo francês Pierre de Chardin, a humanidade está em constante evolução, rumando para um futuro ideal, nomeado de “O Ponto Ômega”. No entanto, tal análise não parece se concretizar no cenário brasileiro, haja vista que o analfabetismo funcional ainda é um obstáculo a ser superado no país. Nesse sentido, cabe analisar como défices infraestruturais e socioeconômicos atuam perpetuando essa realidade para então encontrar uma solução eficaz ao problema.

Em primeiro plano, deve-se perceber que o descaso governamental está diretamente relacionado ao entrave. De acordo com Hegel, o Estado é como um pai e possui o dever de cuidar de seus filhos. Entretanto, ao se observar escolas carentes de um ambiente propício ao estudo, com boas carteiras, refrigeração e materiais didáticos, a motivação para permanecer e se empenhar dentro das salas de aulas acaba decaindo, enquanto que as taxas de analfabetismo funcional seguem em direção contrária. Diante desse quadro, o papel de cuidador, defendido pelo filósofo, não é posto em prática e, com isso, muitos brasileiros continuam com dificuldades para ler simples sentenças ou realizar contas básicas.

Além disso, questões econômicas corroboram a perpetuação do problema. Apesar da erradicação da pobreza e redução das desigualdades ser alguns dos objetivos constitucionais da Federação, o país ainda é o nono mais desigual do mundo, segundo fontes do IBGE. Em meio a essa realidade, para complementar a renda de casa, muitos brasileiros, das mais variadas idades, se veem obrigados a abandonar seus estudos para auxiliar economicamente sua família. Com isso, cidadãos mais humildes necessitam adiar sua plena alfabetização para garantir sua sobrevivência.

Conclui-se, portanto, que para superar o analfabetismo funcional brasileiro, medidas precisam ser tomadas. Para isso, o governo deve, com o aumento do direcionamento do PIB nacional para a educação, potencializar os investimentos em colégios estaduais e municipais. Isso deve ocorrer com a aquisição de elementos que garantam melhorias no bem estar em ambiente escolar, como a compra de carteiras, ventiladores e materiais didáticos, a fim de aumentar o empenho dos alunos em sua alfabetização e nos estudos. Além disso, é necessária a realização, também por parte do Estado, de propagandas e palestras que demonstrem a aliança entre a educação formal e a conquista de melhores oportunidades financeiras no futuro, para incentivar os cidadãos a iniciar e dar continuidade a sua trajetória academica. Somente após essas soluções, o Brasil poderá continuar sua caminhada em direção ao Ponto Ômega.