Alternativas para reduzir o analfabetismo funcional no Brasil

Enviada em 21/12/2020

Na obra “A Hora da Estrela”, de Clarice Lispector, é retratada a situação da personagem Macabéia que encontra obstáculos para se desenvolver em meio à sociedade, em função da sua dificuldade em interpretar os códigos linguísticos. Saindo da ficção, nota-se que a situação apresentada no romance se faz presente na contemporaneidade e a questão do analfabetismo funcional é uma mazela social brasileira. Sob esse viés, é necessário entender as raízes históricas

Em primeira análise, cabe ressaltar os efeitos da colonização portuguesa como geradora da problemática. Por ser um país que, desde 1500, manteve-se na condição de explorado, a existência do analfabetismo funcional é uma condição, evidentemente, sintomática no Brasil. Tal questão é explicitada quando se percebe, por exemplo, a partir do pensamento da historiadora Lilia Schwarcz - para quem “a independência do Brasil em 1822 fez surgir, pela relação de dependência com a metrópole, não uma nação, mas sim um Estado” - que os anacronismos da estrutura colonial ainda interferem na capacidade de produção de várias áreas do país, inclusive educacional.

Pontua-se, ainda, a ausência de políticas públicas como potencializadora da questão do iletrado utilitário. Isso ocorre devido à falta de políticas públicas e destinação de verbas para o financiamento de projetos educacionais voltados para o desenvolvimento do processo de letramento dos indivíduos da nação verde amarela, o que gera a falta de oportunidade e a exclusão social. Essa conjuntura, segundo o filósofo John Locke, configura-se como uma violação do contrato social, haja vista que o Estado é negligente por não garantir a legitimação de um direito constitucional básico: o direto à educação. Essa questão pode ser exemplificada através dos dados da revista Veja, os quais mostram que cerca de 38 milhões de brasileiros são analfabetos funcionais.

A fim de atenuar esse impasse, é necessário que medidas sejam tomadas. Urge-se que as Secretárias de Educação de cada estado em parceria com o Tesouro Nacional, desenvolvam ações que revertam a situação desses brasileiros. Essa medida deve ser feita por intermédio da destinação de verbas para ampliação do Programa Brasil Alfabetizado, além de ofertar projetos educacionais complementares. Isso deve ser feito com o objetivo de contribuir para a universalização do ensino fundamental, além de promover um maior desenvolvimento intelectual e social para a sociedade. Assim, a situação vivenciada pela personagem Macabéia ficará restrita ao universo ficcional.