Alternativas para reduzir o analfabetismo funcional no Brasil

Enviada em 24/12/2020

Segundo a Lei da Inércia de Isaac Newton, um corpo em repouso permanecerá parado até que forças externas atuem sobre ele. De forma análoga, no Brasil, o analfabetismo funcional, ou seja, a compreensão errônea ou incompleta de textos persiste devido à ausência de ações que intercedam de modo efetivo em sua redução. Dessa maneira, essa inexistência de intervenções se tornou uma problemática e ocorre graças à banalização do hábito de leitura, bem como em razão da falta de políticas que atuem diretamente nessa adversidade.

Antes de tudo, tratar a apreciação de obras literárias de forma trivial é um complexo dificultador na resolução dessa questão. Nesse sentido, de acordo com o sociólogo alemão Émile Durkheim, o fato social é a maneira coletiva de pensar. Desse modo, as pessoas crescem em um ambiente no qual a leitura não é estimulada, como também é tratada como a simples decodificação de palavras, quando, na verdade, a comunicação, isto é, o entendimento do conteúdo é o principal foco dela. Diante dessa perspectiva, para que as taxas de leitores falhos diminuam, se faz necessário dar a devida importância às práticas de compreensão de textos e estimular a análise acerca deles.

Ademais, esse problema perdura, pois o Estado não incita o consumo de exemplares literários. Dessa forma, o filósofo italiano Nicolau Maquiavel defende que mesmo as leis mais bem ordenadas são impotentes diante dos costumes. Assim, o pensador traz a reflexão de que a legislação por si só não é suficiente para a atuação determinante na resolução dessa questão, uma vez que ela deve ser atrelada a atos que confrontem diretamente essa problemática. Nessa perspectiva, a fim de que os índices de analfabetismo diminuam, se torna fundamental a intervenção ativa das entidades governamentais, com a síntese de projetos que atuem de forma intrínseca nesse problema.

Portanto, é imprescindível combater a inércia acerca dessa situação. Assim sendo, o Ministério da Cidadania, com o apoio de entidades escolares, deve, por meio de verbas públicas, criar um planejamento para encorajar a leitura dinâmica e interpretativa em todo Brasil. Dessarte, esse projeto seria efetivado pela criação de eventos de leitura semanais em todo país, os quais seriam realizados em escolas de todo o país e contariam com a presença de profissionais de literatura que priorizem a interpretação e a reflexão de todos que participarem desses encontros. Além disso, tais eventos seriam abertos para o público e os educandos seriam estimulados a convidarem pessoas de seu convívio social. Em suma, a partir dessas ações, esse problema começaria a ser minimizado em toda nação brasileira.