Alternativas para reduzir o analfabetismo funcional no Brasil

Enviada em 28/12/2020

O analfabetismo funcional possui doi macroaspectos, um inerente à vontade e a capacidade pessoal, outro referente às construções sociais de educação. Em relação a este segundo fator, o que mais tem gerado o analfabetismo funcional são maus sistemas de ensino e as decrépitas estruturas escolares. Outrossim, os analfabetos funcionais com diploma superior assim o são porque os vestibulares não medem amiúde a capacidade analtico-crítica do sujeito; e também porque os cursos de graduação não contribuem eficazmente com o autodesenvolvimento de seus alunos.

Em uma primeira análise, é válido destacar que o sistema brasileiro de ensino não é bom no que diz respeito à transmissão eficiente de conhecimentos, nem no tocante ao desevolvimento de habilidades. Para ilustrar isso, pode-se citar o fato de o Brasil ter ficado abaixo da média dos países sul-americanos, em 2019, no PISA (Programa Internacional de Avaliação de Alunos). Contudo, há instituições de ensino que são bem avaliadas, públicas inclusive, e que, no entanto, não se fazem presentes em todas as regiões do Brasil. Valorizar o modo de ensinar eficaz, bem como reproduzi-lo para o restante do país faz-se imperioso.

Ademais, os vestibulares (seleção por provas para o ingresso no esnino superior) são frequentemente formulados para que o candidato com conhecimentos em sua forma bruta sejam aprovados, em detrimento, muitas vezes, daqueles que possuem ótima capacidade de análise, de síntese e de interpretação, que é essencialmente o que a vivência plena do cotidiano requer. Por outro lado, a graduação tem um sistema já consagrado de funcionamento, que é o mais difundido, no qual o aluno depende fundamentalmente de assistir às aulas, memorizar conceitos e transcrevê-los para as provas, o que ao final de um determinado número de semestres resultará na sua diplomação. Dessa forma, não se faz a avaliação do estado de desenvolvimento linguístico dos graduandos, o que poderia alarmar aqueles com falhas no processo interpretativo.

Diante desse quadro, fica evidente a necessidade do Governo Federal repassar verbas para o Ministério da Infraestrutura para que, em atuação conjunta com o Ministério da Educação, realize a construção de escolas que repliquem o modelo de ensino das que são bem avaliadas no SAEB (Sistema de Avaliação do Ensino Básico); a serem construídas em locais carentes (cidades com menor IDH, por exemplo). Essa atuação interministerial também deverá ser responsável pela edificação de universidades que trabalhem com o sistema de aprendizado baseado em resolver situações-problema, o que estimula o desenvolvimento das capacidades de leitura e de escrita. Assim, por consequência, reduzir-se-á a taxa de analfabetismo funcional no Brasil.