Alternativas para reduzir o analfabetismo funcional no Brasil
Enviada em 30/12/2020
O movimento de maio de 1968, na França, tornou-se o símbolo de uma época na qual a renovação dos valores veio acompanhada pela proeminente força de uma cultura jovem universitária.Essa série de manifestações representou o poder que a educação possui em alterar dinâmica social vigente.Hodiernamente, no Brasil, mesmo após a reforma educacional da década de 90 ainda existem obstáculos para plena formação de um indivíduo, visto que a não concretização dos direitos constitucionais e a tradição do ensino verticalizado acarretam analfabetismo funcional.
A princípio, é licíto postular a inércia estatal e familiar na promoção do direito social a educação.Nesse panorama, de acordo com a Constituição Federal de 1988, no artigo 205, a educação é um direito de todos e dever do Estado e da família, visando ao pleno desenvolvimento da pessoa e seu preparo para o exercício da cidadania.Por esse ângulo jurídico, é notório a relevância dessa garantia para o desenvolvimento pleno de um indivíduo, tanto na capacidade de formação de um senso crítico quanto na habilidade de compreender uma linguagem verbal e não verbal.Entretanto, a negligência por parte das instituições sociais representa a dificuldade de se colocar em prática o que é garantido constitucionalmente.Por consequência, parcela da população nacional não desenvolve capacidades que vão além da ação da leitura e escrita,tendo carência na habilidade de perceber sentido e atribuí-lo a algo.
Ademais, o modelo educacional vigente fundamentado na transmissão de conhecimento vertical não fomenta a autonomia dos estudantes.Nessa perspectiva,o pedagogo brasileiro Paulo Freire defende o conceito de “Educação Problematizadora” a qual possui como base fundamental o diálogo.Esse pilar é reconhecido por ele como um ensino horizontal e libertador,ao estabeler uma troca mútua entre educando e educador.Em contraste com essa concepção,o sistema pedagógico do Brasil pós moderno é caracterizado pelo ensino vertical,que reconhece o aluno como recipientes vazios que devem receber os conteúdos programáticos pré-definidos, sendo os educadores, neste contexto, depositantes de conteúdos.Logo,as particularidades de cada indivíduo não são considerados no processo da aprendizagem.
Depreende-se,portanto,ações para mitigar a problemática.Para tanto,com a finalidade de mudar o ensino tradicional contemporâneo,o Ministério da Educação deve reformular as Diretrizes Curriculares Nacionais,por meio do auxílio de pedagogos e psicopedagogos- que desenvolverão bases pedagógicas horizontais objetificando desenvolver a autonomia dos educandos.Desse modo,tal como a educação mudou os princípios franceses em 68,essa será responsável por atenuar o analfabetismo funcional.