Alternativas para reduzir o analfabetismo funcional no Brasil

Enviada em 29/12/2020

Aristóteles estudou o bom funcionamento da “polis” e afirmou que cada cidade possui um bem como meta, o “Bem Soberano”. Entretanto, percebe-se que, no Brasil hodierno, a lógica aristotélica não se aplica no âmbito do analfabetismo funcional, pois essa problemática ainda é tangenciada pelo governo. Logo, surge um quadro o qual fere a democracia, e políticas públicas são fulcrais para reverter essa conjuntura.

Por esse prisma, constata-se a débil ação dos agentes estatais diante do analfabetismo funcional. Esse fenômeno se explica a partir das análises do filósofo John Locke, na “ Quebra do Contrato Social”, segundo o qual o Estado não cumpre seu devido papel em garantir o direito básico do cidadão. Sob esse viés, tal perspectiva se faz presente no contexto brasileiro, uma vez que o poder público não oferta à população um combate efetivo acerca do déficit cognitivo supracitado, o qual acarreta uma sociedade desatinada. Dessa forma, torna-se irrefutável que, a ingerência estatal é um fator agravante a essa circunstância.

Outrossim, a socióloga alemã Hannah Arendt, em sua teoria “Banalidade do Mal”, afirma que a força motriz para a perpetuação dos males em uma sociedade é a banalização deles. Fora do tablado teórico, a realidade nacional sofre a negligência com os iletrados utilitários, pois o próprio sistema educacional secundariza ações de caráter inclusivista. A exemplo disso, cita-se a precarização das escolas públicas, aspecto amplamente divulgado na mídia, mas tratado com desdém pela política brasileira. Nesses termos, percebe-se a coerência de Hannah Arendt ao determinar a conduta indiferente do Estado, embora velada ou culposa, como a principal geradora de adversidades aos estudantes.

Infere-se, portanto, que combater o analfabetismo funcional é crucial para o bom funcionamento da sociedade. Para isso, cabe ao Ministério da Cidadania amenizar a ingerência estatal, por meio de investimentos no setor educacional, a exemplo de programas públicos que criem uma ligação positiva entre praticas literárias e o melhoramento curricular para contratação de funcionários, com o intuito de gerar uma população menos desatinada. Ademais, o Ministério da Educação deve melhorar a situação das escolas brasileiras por meio da elaboração de ações engajadas, como a criação de clubes que estimulem a escrita e debates, com o desígnio de tornar hábito a escrita entre os alunos. Destarte, essas práticas servirão para aproximar o Brasil da tese aristotélica.