Alternativas para reduzir o analfabetismo funcional no Brasil
Enviada em 29/12/2020
O filme Escritores da Liberdade, lançado em 2007 e baseado em fatos reais, relata a história de uma professora novata em uma escola periférica e conta como um projeto desenvolvido por ela através da leitura e poesia mudou a visão de mundo dos alunos. Paralelo a isso, mesmo alfabetizados, muitos brasileiros são incapazes de interpretar textos, e com isso, surge o problema do analfabetismo funcional que refrete prejudicialmente em posicionamentos políticos e na vida profissional. Dessa maneira, faz-se necessário analisar as alternativas para reduzir o analfabetismo funcional no Brasil.
Em primeiro lugar, é preciso observar a questão de maneira pragmática. O escritor Leonardo Boff em seu livro A Águia e a Galinha destaca que os olhos veem onde os pés pisam. Seguindo essa linha de pensamento, nota-se que a alfabetização primária – aquela aonde se aprende o alfabeto e separação monossilábica – é inútil se não for funcional, haja vista que, apenas com ela, o aluno não tem capacidade interpretativa. Dessa forma, o indivíduo fica vulnerável a pensamentos políticos errôneos e atrasados, prejudicando toda a formação político-social dele.
Ademias, percebe-se que falhas governamentais corrobora à problemática. Segundo o filósofo Michel Foucault, a função do Estado é maximizar o bem-estar da população. Sob tal ótica, é notório que o governo rompe com a teoria do autor ao permitir lacunas no sistema educacional brasileiro, tanto nas escolas como nas universidades tendo como base a pesquisa do Jornal Record que constatou que, em 2016, 92% daqueles que possuíam o ensino superior não tem domínio perfeito da escrita e da produção textual. Sendo assim, a brecha estatal possibilita a formação de profissionais incapacitados impedindo a dinâmica social coerente.
Logo, observa-se que a dificuldade interpretativa e a formação de profissionais desqualificados são incompatíveis com a democratização do ensino previsto na Constituição Federal (CF/88) e, a fim de solucionar os contratempos, medidas são necessárias. Para tanto, cabe ao Estado, na figura do Ministério da Educação (MEC), o desenvolvimento de estudos a fim de possibilitar uma prova de conclusão de curso – semelhante a prova da OAB – e conceda o diploma apenas após a aprovação nessa prova, em todos os cursos superiores e, dessa forma, permitir a entrada no mercado de trabalho de profissionais realmente capacitados a atender a demanda populacional. Outrossim, o governo deve ainda aumentar a carga horário da disciplina de língua portuguesa nas escolas e nas universidades para que, por meio dela, seja realizados debates entre os alunos com o intuído de que estes desenvolvam senso crítico próprio e melhore a capacidade dialética, assim, serão formados cidadãos politica e profissionalmente alfabetizados.