Alternativas para reduzir o analfabetismo funcional no Brasil
Enviada em 31/12/2020
Promulgada em um período nomeado como “Nova República”, por Tancredo Neves, a Constituição de 1988, garante a todos, mediante o artigo 6°, o direito à educação. Entretanto, atualmente, tal garantia tem reverberado de modo inconsistente no Brasil, visto que ainda observa-se a persistência do analfabetismo no país. Esse cenário antagônico é proveniente da postura ineficiente do Estado em relação ao ensino, mas também à evasão escolar promovida pelas desigualdades sociais. Desse modo, tais razões geram um ciclo disfuncional e segregador que perpetua o problema na sociedade.
Em primeiro plano, é lícito afirmar que o Estado é o agente responsável pela formação de analfabetos funcionais no Brasil. Isso porque, o Ministério Educação cria políticas públicas para melhorar a educação deficitária do país, porém não as desenvolvem eficientemente. Esse panorama é evidenciado pelo IBGE, que constatou que o Plano Nacional de Educação, criado pela instituição em 2010, está com 80% das metas estagnadas. Acerca disso, é notório evidenciar que essa disfunção contribui com a formação de lacunas educacionais em diversos brasileiros, como interpretar textos e realizar operações matemáticas.
Ademais, a evasão escolar promovida pelo subdesenvolvimentismo do Brasil, também contribui com a continuidade do problema. Pois, essa conjuntura faz com que, principalmente jovens e adultos de zonas periféricas, abandonem a escola para trabalhar, mesmo que informalmente, devido a necessidade de ajudar com a renda familiar. Assim, partindo do pressuposto kantiano, no qual diz que o homem é aquilo que a educação faz dele, ao reprimir o desenvolvimento do indivíduo, limita-o em exercitar habilidades necessárias, para uma participação ativa na sociedade, como ingressar em uma universidade. Isto posto, torna-se mister a reformulação desse cenário, visto que, além de violar o que é previsto constitucionalmente, gera um ciclo vicioso que permanece essa problemática no país.
Infere-se, portanto, que medidas são necessárias para liquidar o analfabetismo funcional no Brasil. Para tanto, cabe ao Ministério da Educação, por meio das plataformas já existentes, como o MecFlix, desenvolver um programa de alfabetização virtual em polos educacionais gratuitos, como as bibliotecas públicas, sendo necessário sua disponibilização em horários flexíveis, pois esse é o principal impasse para àqueles que querem voltar a estudar, mas precisam conciliar com o trabalho. Ademais, é crucial que, paralelamente, o Ministério da Economia aumente satisfatoriamente os programas de assistência financeira, como o Bolsa Família, para superar as causas de evasão escolar. Feito isso, a sociedade brasileira irá caminhar para um país que faça jus ao que está previsto na carta magna, pois irá propagar uma reação ao problema inerte.