Alternativas para reduzir o analfabetismo funcional no Brasil

Enviada em 31/12/2020

Na obra “Utopia”, do escritor inglês Thomas More, é retratada uma sociedade perfeita, cujo corpo social padroniza-se pela ausência de conflitos e desequilíbrios sociais. Todavia, o que se observa na realidade contemporânea é o oposto do que o autor prega, uma vez que que o analfabetismo funcional está presente na sociedade. Seja pelo exclusão social das minorias que é desprovida do acesso à educação, seja pelo analfabetismo digital, a concretização dos planos de More apresenta barreiras. Nesse sentido, a busca de medidas a fim de cessar a perpetuação desse antagônico no Brasil é fundamental.

Em primeira análise, é evidente a ineficácia da ação pública no que diz respeito à garantir o acesso à educação. Sob esse viés, a elaboração da Constituição Cidadã, há 32 anos, baseou-se na concepção de que é dever público manter e zelar efetivamente por condições dignas no que concerne à segurança, liberdade de expressão e, sobretudo, educação. Entretanto, a realidade prática diverge da teoria magna, uma vez que dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística aponta que, em 2018, havia mais de 10 milhões de pessoas analfabetas com 15 anos ou mais de idade no Brasil. Tal realidade, consequentemente, nega prerrogativas constitucionais basilares e, por isso, deve  ser alterada.

Ademais, é imperativo ressaltar o analfabetismo digital como importante causa de tal conjuntura. Dito isso, a sociologia moderna define a tomada de posturas passivas e aecríticas diante de situações relevantes como fruto da alienação e da ignorância, consoante, o sociólogo francês Émile Durkheim defende que o indivíduo só poderá agir na medida em que aprender a conhecer o contexto em que está inserido, a saber quais são suas origens e as condições de que depende. Diante disso, tanto o desconhecimento da realidade em que está inserido quanto os impactos práticos de sua instabilidade induzem ao negacionismo e ao sentimento apático, contribuindo com a permanência deste cenário temerário e de discrepância social, desse modo, faz-se mister o reconhecimento deste quadro deletério.       Infere-se, portanto, que medidas exequíveis são necessárias para mitigar o avanço do analfabetismo funcional na sociedade brasileira. Em virtude disso, é imprescindível que o Poder Executivo direcione capital que, por intermédio do Ministério da Educação e do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações, será revertido, não só na garantia, efetiva, do acesso à educação para as minorias, mas também na democratização do acesso à internet. Isto posto, com o fito de minimizar os fatores condicionantes dessa realidade nocente e, possivelmente, erradica-los. Destarte, a coletividade alcancará a “Utopia” de More.