Alternativas para reduzir o analfabetismo funcional no Brasil
Enviada em 31/12/2020
Promulgada pela Organização das Nações Unidas (ONU) em 1948, a Declaração Universal dos Direitos Humanos garante a todos os indivíduos o direito ao ensino de qualidade e ao bem-estar social. Conquanto, o analfabetismo funcional no Brasil impede que essa parcela da população desfrute desse direito universal na prática. Dessa forma, observa-se que a lacuna educacional na alfabetização dos brasileiros apresenta um cenário desafiador, seja em virtude da baixa atuação dos setores governamentais, seja pela falta de conhecimento.
Deve-se destacar, em primeiro plano, a baixa atuação dos setores governamentais como um dos complicadores do problema. Nesse sentido, segundo Rousseau, na obra ’’ Contrato Social’’, cabe ao Estado viabilizar ações que garantam o bem-estar coletivo. Contudo, nota-se, no Brasil, que o analfabetismo funcional rompe com as ideias do filosófo iluminista, uma vez que, de acordo com dados do Indicador de Analfabetismo Funcional (INAF), 3 a cada 10 estudantes de escolas públicas brasileiras não demonstram capacidades mínimas de interpretar e decodificar textos simples. Consoante a isso, o descaso governamental em criar mecanismos que contemplem uma educação de qualidade evidencia a base educacional lacunar do sistema público de ensino e, consequentemente, reflete em um alto índice de analfabetos funcionais no país.
Vale ressaltar, em segundo plano, a falta de conhecimento como impasse para combater a desinformação na internet. Conforme Schopenhauer, ’’ Os limites do campo de visão de uma pessoa determinam seu entendimento a respeito do mundo’’. Partindo desse pressuposto, um dos grande empecilhos da presença de analfabetos funcionais nos meios digitais é que essas pessoas são mais suscetíveis à informações falsas, imagens manipuladas e discursos distorcidos, já que, por não terem a capacidade de analisar criticamente uma informação, possuem maior chance de compartilharem mensagens com conteúdos enganosos. Assim, sem uma presença de uma lógica que permita tomar decisões conscientes e crítica dos conteúdos vistos, esse problema tem sua intervenção dificultada.
Torna-se imperativo, portanto, desenvolver medidas que ajam sobre o analfabetismo funcional. Para esse fim, é preciso que o Ministério da Educação, em parceira com escolas públicas e privadas, deve criar projetos educacionais de leitura e interpretação de textos, por meio de verbas governamentais, com o objetivo de estabelecer a qualidade de ensino assegurada pela Constituição. Tais projetos podem ser realizados por palestras ministradas por especialistas no assundo, bem como por doscentes capacitados, de forma a modicar o quadro de analfabetos funcionais no Brasil. Assim, espera-se a efetivação dos elementos elencados na Declaração Universal dos Direitos Humanos.