Alternativas para reduzir o analfabetismo funcional no Brasil
Enviada em 10/01/2021
O filósofo Aristóteles defendia a importância do conhecimento para a obtenção da plenitude da essência humana. Para ele, sem a cultura e a sabedoria, nada separa o homem do restante dos animais. Nesse contexto, destaca-se a educação como ferramenta na construção de uma sociedade mais culta. No entanto, há diversos obstáculos que impedem que a sociedade brasileira usufrua plenamente dos benefícios educacionais, com destaque para os altos índices de analfabetismo funcional no país. Tal quadro é fruto, tanto de um legado histórico, como do descaso governamental.
A princípio, é importante destacar que o país sofre com as consequências do período colonial, uma vez que, durante muitos anos, grande parte da população, especialmente os escravos, não tiveram acesso à educação. Tal legado histórico perdura, visto que, mesmo com o fim da escravidão, os negros não foram reinseridos na sociedade. Em virtude disso, o país tornou-se amplamente desigual, o que compromete o acesso à educação de qualidade. Consequentemente, observa-se pessoas que foram meramente letradas, mas que, infelizmente, não têm real acesso a informações, já que não possuem a capacidade de interpretar e significar os conteúdos lidos. Logo, verifica-se a elitização do conhecimento e ascensão do analfabetismo funcional, em detrimento de uma sociedade historicamente segregada. Outrossim, pontua-se o descaso governamental como impulsionador do problema. Segundo a Constituição Federal de 1988, todos os cidadãos brasileiros têm direito à educação. Contudo, ao analisar uma pesquisa feita pelo Jornal Record, em 2016, a qual denuncia que metade da população que sabe ler, tem imensa dificuldade de interpretar textos simples, percebe-se que essa premissa não é cumprida. Diante disso, é evidente que o Estado falha em realizar sua função social, além de constar que há uma diminuição na qualidade de vida dessas pessoas, de modo que a capacidade de ler e associar conteúdos é uma habilidade imprescindível no mundo contemporâneo, já que é pré requisito para diversas atividades laborais, por exemplo.
Infere-se, portanto, a necessidade de criar alternativas para reduzir o analfabetismo funcional no Brasil. Desse modo, o Ministério da Educação - órgão estatal brasileiro responsável por este setor - deve criar um plano nacional de alfabetização eficiente, por meio da inserção de componentes curriculares destinados ao incentivo da leitura e a ensinar a habilidade de interpretar textos em todos os anos escolares. Tudo isso com objetivo garantir a todos, independente de sua herança histórica, o direito à educação de qualidade. Somente assim a sociedade brasileira, mediante a alfabetização, alcançará a plenitude da essência humana, defendida por Aristóteles.