Alternativas para reduzir o analfabetismo funcional no Brasil

Enviada em 02/01/2021

Na letra da canção “Brasis” o autor, Seu Jorge, declara que “Tem um Brasil que é próspero/Outro não muda". A música serve para analisar a situação da educação no Brasil, cenário em que certamente já houve grandes avanços, no entanto, não suficiente para acabar com o analfabetismo funcional no país, isto é, indivíduos que, embora saibam reconhecer letras e números, são incapazes de compreender textos simples, bem como realizar operações matemáticas mais elaboradas. Decerto, trata-se de uma realidade que não pode continuar sendo ignorada, por razões de ordem social e moral.

Primeiro, convém enfatizar que é direito de todo cidadão brasileiro ter acesso à educação básica adequada. Para entender melhor essa ideia, é oportuno recorrer ao sociólogo britânico Thomas Marshall, o qual desenvolveu a ideia de cidadania a partir do conjunto de três elementos de natureza normativa: os direitos civis, os direitos políticos e os direitos sociais. Neste último grupo, aliás, insere-se o direito a educação, previsto na Constituição brasileira. Contudo, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a proporção de analfabetos funcionais no Brasil totaliza 38 milhões de pessoas, nesse sentido, é completamente arbitrário que a Norma fundamental do Estado, documento que rege a vida coletiva e política da população, seja desrespeitada e que esses cidadãos sejam simplesmente menosprezados sem nenhum tipo de razão plausível para tal, uma vez que todos são detentores do direito a uma vida social justa.

Depois, cabe ressaltar como a pertinência do analfabetismo funcional no Brasil, do ponto de vista moral, é condenável. Nessa linha de raciocínio, é válido mencionar a filosofia utilitarista, de pensadores como Jeremy Bentham e Stuart Mill, a qual acredita que não há diferença moralmente significativa entre fazer um mal e permitir que ele aconteça. Acerca disso, na medida em que o Estado negligencia a problemática as pessoas, carentes de dignidade, lutam em busca de oportunidades, entretanto, os indivíduos classificados como analfabetos, em sua grande maioria, são desempregados e vulneráveis, ou seja, vivem sem perspectivas de futuro. Logo, uma vez que o Estado deveria ser a instituição provedora de tal educação, é inadmissível que se mantenha inerte diante da situação.

Portanto ,é oportuno apontar soluções para a problemática. No que diz respeito a isso, o Ministério da Educação (MEC) deve criar uma política nacional de alfabetização.O plano, aliás, deve incorporar iniciativas de garantia do acesso e permanência aos ensinos básico e superior, a partir da elaboração de projetos políticos pedagógicos. Isso pode ser feito por meio de uma colaboração com as secretarias estaduais de educação, já que possuem um maior conhecimento das respectivas localidades e de suas necessidades específicas. Dessa maneira, será possível reduzir o analfabetismo funcional no Brasil.