Alternativas para reduzir o analfabetismo funcional no Brasil

Enviada em 02/01/2021

A Constituição federal de 1988, documento jurídico mais importante do país, prevê ,em seu artigo 6º, o direito à educação como inerente a todo cidadão brasileiro. Conquanto, tal prerrogativa não tem se reverberado com ênfase na prática quando se observa o analfabetismo funcional no Brasil. Dificulta-se, deste modo, a universalização desse direito social tão importante. Diante dessa perspectiva, faz-se imperiosa a análise dos fatores que favorecem esse quadro, os quais estão relacionados não só à ausência do Estado, como também à desigualdade social.

Deve-se destacar, de início, a ausência de medidas governamentais para combater tal problemática. Nesse sentido, segundo Rousseau, na obra “Contrato Social”, cabe ao Estado viabilizar ações que garantam o bem-estar da população. No entanto, nota-se, no Brasil, que o analfabetismo funcional rompe com as defesas do filósofo iluminista, uma vez que não há, no país, medidas satisfatórias e eficientes que garantam a alfabetização de toda a população. Dessa forma, é inaceitável que, em pleno terceiro milênio, milhares de brasileiros não conseguirem interpretar textos e frases simples, de modo a ficarem à margem da sociedade por essa deficiência no ensino.

Ademais, é fundamental apontar a desigualdade social como impulsionadora do problema no Brasil. Sob esse viés, segundo dados da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e Cultura (Unesco), o número de analfabetos funcionais cresce em 100%(dobra de valor) se levar em consideração áreas marginalizadas e interioranas em comparação à áreas urbanizadas e centrais. Diante de tal exposto, fica evidente que a problemática está atrelada à condição social a qual o indivíduo se encontra, de modo que pessoas com maior acesso à informação, educação e uma infraestrutura, possui menos chances de se tornar um analfabeto funcional.

Depreende-se, portanto, que a ausência do Governo somado à desigualdade social são fatores que perpetuam a problemática exposta. Diante disso, surge a necessidade de se combater esses obstáculos. Para isso, é imprescindível que o Ministério da Educação, por intermédio de centros de ensino voltados à alfabetização, dê uma educação adequada e eficiente para todos os brasileiros. Nesse viés, é necessário que o centro de ensino seja acessível a qualquer cidadão que esteja interessado. Além disso, deve haver profissionais qualificados e que haja um maior número desses centros em locais onde a taxa de analfabetismo seja maior. Assim, se consolidará uma sociedade mais igualitária, na qual o Estado desempenha corretamente seu papel, tal como afirma Rousseau.