Alternativas para reduzir o analfabetismo funcional no Brasil

Enviada em 03/01/2021

Segundo o IBGE, o número de analfabetos funcionais no país é em torno de 40 milhões de pessoas. Além do fato do número em si ser preocupante, ao olhar em como estão distribuídos, é possível chegar a conclusão que este problema está intimamente ligado à desigualdade social. Tendo em vista que, seus principais causadores são: A herança sociocultural brasileira e a negligência do Estado no seu investimento em Educação uma discussão se faz necessária.

Primordialmente, a atual distribuição do número de analfabetos por classe social reflete o passado cultural do país. Segundo a teoria “Habitus”, do sociólogo Pierre Bourdieu, convenções e estruturas sociais são naturalizadas e enraizadas durante o processo de socialização, sendo passados a diante na história. Sob essa óptica, sabendo que no período coloquial e monárquico apenas a Elite possuía pleno acesso educação de qualidade, e visto que, atualmente os analfabetos são de classes sociais  mais desfavorecidas, fica claro como a herança sociocultural ajudou a perpetuar esse panorama até os dias de hoje.

Paralelamente, o Estado é negligente ao não investir em uma educação de qualidade, visando se aproveitar dessa condição. De acordo com o filósofo Paulo Freire, a educação deveria ser conscientizadora e voltada para os direitos humanos, tendo como principal objetivo a formação de cidadãos críticos. Porém, esse cenário muitas vezes vai contra aos interesses socioeconômicos do governo, que ao possuir pessoas menos instruídas consegue manipulá-las e construir uma narrativa favorável para concretização de seus objetivos. Assim, a população se torna alienada e sujeita a uma cultura de comportamento de massa.

Portanto, é preciso que providências sejam tomadas para mudar esse ciclo cultural de inferioridade e manipulação. A fim de criar uma sociedade mais imstruída e consciente urge que o Ministério de Educação, diminua o número de alunos por sala para facilitar a atenção individual prestada a cada aluno, além de treinar os professores, principalmente do ensino fundamental, para localizar dificuldades e déficits na alfabetização, por meio de verbas públicas e adaptações estruturais nas escolas municipais e estaduais. Dessa forma, a visão de educação idealizada por Paulo Freire estará mais próxima de se tornar realidade.