Alternativas para reduzir o analfabetismo funcional no Brasil
Enviada em 07/01/2021
Em 1964, Mafalda - personagem fictício de Quino - criticou o comportamento humano contra as mazelas sociais, alegando viver em um mundo baseado na irresponsabilidade, seja no campo político, seja na área social. Talvez ela hoje apontasse para a fragilidade do sistema público de educação no combate ao analfabetismo funcional, a qual, por falta de investimentos em programas educativos de estímulo à leitura, promove a exclusão social. Assim, observa-se a necessidade de impulsionar uma maior reflexão acerca dos desafios enfrentados para solucionar essa problemática.
A princípio, vale ressaltar os obstáculos encontrados na luta pelo ensino. Nesse sentido, Mário de Andrade afirmava que o histórico mundial deve ser utilizado como mecanismo de reflexão e de aprendizagem, com vistas à permitir que a população evolua de maneira distinta ao passado. Esse pensamento pode ser utilizado para se referir ao período da República Velha, quando a sociedade, predominantemente oligárquica, acreditava na ideia de que os nordestinos eram incapazes de interpretar textos devido ao pouco acesso à educação, a fim de segregar o processo educacional. Tendo em vista tais fatores, observa-se a construção de uma cultura que banaliza a exclusão da população nordestina nas instituições de ensino e discrimina o analfabeto funcional.
Além disso, é evidente que a influência da educação no cultivo de uma ótica social mais consciente, em relação ao analfabetismo funcional, estabelece a base para o desenvolvimento de uma coletividade mais igualitária e menos discriminatória. Contudo, a ausência de investimentos pelo Ministério da Educação em palestras e em gincanas escolares, ambas capazes de alertar a população sobre a importância de lutar contra o analfabetismo social, contribuem para o desconhecimento sobre o hábito de leitura para o aprimoramento da interpretação de texto. Prova disso, segundo dados do site O Globo, o brasileiro lê, anualmente, menos livros do que o recomendado pelas escolas.
Depreende-se, portanto, que ações para minimizar o analfabetismo funcional devem ser imediatamente iniciadas. Para tanto, o Ministério da Educação, órgão responsável pelo ensino, deve investir em programas de educação social para estimular uma mudança comportamental dos habitantes sobre o aprimoramento de interpretações de texto. Isso ocorrerá por intermédio da disponibilização de locais para o surgimento dos ‘‘mutirões da leitura’’, os quais se baseiam em eventos para alunos e comunidade, com o objetivo de distribuir livros e de minimizar a exclusão social dos nordestinos. Dessa forma, busca-se construir um mundo com menos irresponsabilidade humana, cujo local Mafalda pudesse elogiar.