Alternativas para reduzir o analfabetismo funcional no Brasil
Enviada em 04/01/2021
Para o filósofo Thomas Marshall, a cidadania se baseia no conjunto de direitos sociais garantidos por uma Constituição. Nesse sentido, as altas taxas de analfabetismo no país mostram que a educação - um direito de todos - não é assegurado e, assim, contribui para a não garantia da cidadania de todos brasileiros. Por essa perspectiva, as consequências associadas ao analfabetismo tornam-se um grande impecilho para o avanço da educação no país e dos bem estar social dos indivíduos.
Em primeiro lugar, é imperioso salientar que a difusão tardia da educação no Brasil foi algo que, historicamente, contribuiu para o número de analfabetos. De acordo com a educadora Magda Soares, a alfabetização só foi colocada ao alcance do direito de todos a partir da Constituição de 1988, onde a educação se torna universal e para todos. Além disso, a universalização do ensino básico só foi atingida no final dos anos noventa, contribuindo, assim, para os mais de 11 milhões de brasileiros analfabetos existentes no país. Logo, é cristalino que o analfabetismo impede a garantia e o avanço da cidadania defendida por Thomas Marshall.
Nessa égide, as consequências associadas ao analfabetismo tornam-se um problema para o indivíduo e para o país. Por esse viés, a desigualdade e exclusão social, evasão escolas e a má colocação no mercado de trabalho são alguns dos problemas associadas a essa condição educacional. Segundo dados do Ministério da Educação, a taxa de evasão escolas entre os jovens mais pobres é de 11,8%, sendo esse um dos principais maximizadores da crescente desigualdade social e baixa qualificação profissional. Ademais, as funções de provedores ou ajudadores do lar colocam um fardo pesado na construção educacional dessas pessoas que deixam a educação em segundo plano. Sendo assim, a terra verde e amarela tem um grande caminho a percorrer rumo a efetividade e garantia da educação para todos.
Dessa forma, medidas compartilhadas entre Poder Público e Sociedade Civil são necessárias para resolver o problema em questão. Nessa máxima, é necessário que o Ministério da Educação elabore um plano de ações voltadas para a remodelação do ensino básico, investindo na reestruturação desse setor e no avanço da alfabetização de adultos através do EJA, garantindo, além do acesso, a permanência dos indivíduos no ambiente escolar. Somando-se a isso, a Escola, em conjunto com a Assistência Social, deve mapear os alunos faltosos e o motivo da ausência com o intuito de suprir qualquer necessidade que os impeçam de caminhar a vida estudantil. Feito isso, o Brasil conhecerá a verdadeira cidadania.