Alternativas para reduzir o analfabetismo funcional no Brasil
Enviada em 04/01/2021
No filme “Central do Brasil”, um dos clássicos brasileiros, passa-se a história da Dora, uma amargurada ex-professora, que ganha dinheiro escrevendo cartas para analfabetos na central do Rio de Janeiro, com a falsa promessa de envia-las a seus familiares. De maneira análoga, o longa retrata a realidade de muitos brasileiros, os quais se encontram em total vulnerabilidade por não saberem ler e escrever, o que se configura com um grande desafio no Brasil. Diante disso, é lícito destacar o peso que a desigualdade socioeconômica e o preconceito possuem sob o analfabetismo no país.
Sob essa perspectiva, convém enfatizar o impacto da disparidade social na permanência de crianças e jovens em instituições de ensino. Nesse sentido, de acordo com o índice de Gini - medida que classifica o grau de desigualdade em um país - o Brasil está entre as dez nações mais desiguais do mundo. Nessa lógica, essa cruel disparidade força os estudantes de famílias carentes à evasão escolar, para que contribuam para a renda do lar, cada vez mais cedo. Dessa forma, parcela da sociedade brasileira devido à sua condição social, impedidos a ter acesso a educação, o que resulta em uma formação de ensino incompleta, fato que consequentemente, agrava o entrave social.
Outrossim, é imperativo destacar a falta de empatia como um dos fatores que validam a persistência da problemática. Segundo Mario Sergio Cortella grande filósofo contemporâneo a nação brasileira é tão preconceituosa, que há o uso do termo analfabeto como ofensa, isso, que é um crime social indicado cruelmente ao próximo, de modo a ser responsabilidade exclusiva dele. Desse modo, enquanto parcela da população que é privilegiada, for tão preconceituosa ao ponto de insultar o outro de tal maneira, mais adultos que tem oportunidade de voltar a estudar, irão hesitar por tamanha rejeição.
Evidencia-se, portanto, a necessidade de ações interventivas para minimizar o alfabetismo em todo o território nacional. Para tanto, o Governo deve investir em regiões menos favorecidas economicamente, para proporcionar condições igualitárias de aprendizagem. Ademais, compete ao Ministério da Educação - órgão responsável pelas politicas nacionais educativas - por meio de amplo debate entre famílias, estados e professores, introduzir novos métodos eficazes de ensino, com fito de transformas a educação brasileira, diminuir o preconceito e, consequentemente, o analfabetismo no país. Feito isso, o Brasil poderá gradativamente, mudar o quadro exposto pelo índice de Gini.