Alternativas para reduzir o analfabetismo funcional no Brasil

Enviada em 04/01/2021

O artigo 205 da Constituição Federativa do Brasil, de 1988, prevê que a educação, direito de todos e dever do Estado e da família, será promovida e incentivada com a colaboração da sociedade, visando ao pleno desenvolvimento da pessoa, preparo para o exercício da cidadania e sua qualificação para o trabalho. Contudo, nota-se que essa premissa não se aplica no atual cenário brasileiro, uma vez que são necessárias alternativas para reduzir o analfabetismo funcional. Com isso, é preciso compreender o papel da sociedade e do Estado para contornar essa problemática. Em primeiro ponto, vale ressaltar que a evasão escolar e a falta de incentivo à permanência de jovens nas escolas corroboram para o aumento de analfabetos funcionais. Para Amitai Etzioni, sociólogo americano, a sociedade deve articular o que é bom por meio dos princípios corporificados em suas comunidades e instituições. Sendo assim, escolas e famílias tem o papel fundamental, não apenas de fornecer conhecimento, mas também promover o incentivo à permanência nas escolas e a construção moral dos indivíduos para que desenvolvam interesse nos estudos. Diante desses fatos, evidencia-se que a negligência das instituições à formação escolar completa causa prejuízos a sociedade. Outrossim, observa-se o descaso do Estado à disponibilização de grades curriculares atrativas e incentivo aos professores. Dessa maneira, Ferreira Gullar, em seu poema “Não Há Vagas” denuncia a falta de comprometimento governamental no que tange problemas sociais. Sob essa premissa, a ineficácia das políticas públicas, a falta de investimento na educação - como o aumento salarial de professores, promoção de atividades que estimulem o senso crítico, a criatividade e a rotina de leitura – culmina na formação de jovens incapacitados de interpretarem textos complexos, uma vez que menos de 70% que possuem diploma são proficientes, segundo o site administradores. Logo, nota-se que estar na escola não garante necessariamente a formação completa de indivíduos sendo preciso tal reformulação do Estado. Portanto, são necessárias medidas para mitigar esse quadro. A fim de diminuir a evasão escolar, urge que o Ministério da Educação em parceria com secretarias municipais e famílias, promova - por meio de propagandas televisas, seminários e debates - campanhas educativas sobre a importância da permanência na escola. Ademais, é papel do Poder Legislativo implementar na grade curricular brasileira, por meio de emendas, disciplinas e projetos que visem estimular a leitura, o senso crítico, a criatividade e o interesse em aprender. Dessa maneira, espera-se que as normas da Constituição de 1988 sejam efetivadas.