Alternativas para reduzir o analfabetismo funcional no Brasil

Enviada em 12/01/2021

No romance “A Hora da Estrela”, escrito pela ucraniana Clarice Lispector, é retratada a personagem Macabéa, uma jovem que enfrenta obstáculos para se desenvolver em meio à sociedade, tendo em vista a sua dificuldade em interpretar códigos linguísticos. Fora das páginas, tal situação não se faz distante, a exemplo dos casos analfabetismo funcional presente no Brasil, sendo necessário mitigar essa problemática. Logo, para que isso seja possível, é preciso combater a ineficiência estatal, bem como incentivar o hábito da leitura na população.

A priori, vale ressaltar a responsabilidade que o governo deve ter com a educação. Nesse viés, a Constituição Federal de 1988 prevê, no artigo 205, o direito à educação como inalienável, tendo em vista a sua importância no desenvolvimento pessoal, assim como no preparo do indivíduo para o exercício da cidadania. Porém, tal resguardo não se efetiva na realidade, já que consoante dados do Indicador Nacional de Analfabetismo Funcional (Inaf), três em cada dez brasileiros são considerados analfabetos funcionais. Dessa maneira, fica evidente o descuido dos governantes em promover um ensino de qualidade à sociedade.

A posteriori, é relevante analisar a falta de incentivo à leitura por parte da população. Nesse sentido, o escritor brasileiro Mário Quintana, destaca que os livros não mudam o mundo, as pessoas que são capazes de fazê-lo, mas os livros mudam as pessoas que por conseguinte mudam o mundo. Sobre isso, percebe-se a importância que ler exerce sobre as mudanças sociais, mas que não é suficientemente incentivada na população, haja vista um levantamento realizado em 2016 pela Avaliação Nacional de Alfabetização (ANA), o qual revela que mais de dois milhões dos alunos concluintes do terceiro ano do ensino fundamental apresentaram desempenho insuficiente no exame de proficiência em leitura. Dessa forma, medidas fazem-se necessárias para mudar essa situação.

Portanto, fica claro que o problema do analfabetismo funcional precisa ser atenuado. Para isso, o Poder Executivo, na figura do Ministério da Educação (MEC), deve promover juntamente com as instituições de ensino, campanhas lúdicas e aulas expositivas direcionadas ao tema, a fim de que o hábito de ler seja seja compreendido como fundamental a todo ser humano desde a tenra idade, incentivando-os à uma rotina de leitura e fomentando o pensamento crítico. Assim, casos como o de Macabéa permanecerão apenas no passado, e as futuras gerações estarão aptas a corresponderem com as habilidades exigidas ao longo da vida.