Alternativas para reduzir o analfabetismo funcional no Brasil

Enviada em 05/01/2021

A obra “Eu sou Malala”, de Cristina Lamb, relata que a sociedade paquistanesa é controlada por homens que tem acesso à educação, enquanto as mulheres, em maioria analfabeta, se transfiguram em massa de manobra daqueles que detém letramento.Fora da literatura, é evidente que o analfabetismo também é a realidade de muitos brasileiros que são vítimas das mazelas sociais e da omissão governamental.Posto isso, para reduzir o analfabetismo funcional no Brasil, há de combater a desigualdade social histórica, bem como a defazagem educacional.

A princípio, é fulcral pontuar que a concentração de renda dificulta que os cidadãos tenham acesso ao sistema educacional. A esse respeito, durante o período da Colônia de Exploração, apenas a aristocracia - organização composta por nobres- tinha acesso à alfabetização e à leitura. Ocorre que, no Brasil contemporâneo, isso ainda persiste, visto que as crianças em situação de extrema pobreza não tem o privilégio de dar prioridade aos estudos, em virtude da escassez de alimentos e de recursos que assegurem a permanência dos alunos na escola. Esse cruel cenário não somente impede que as crianças estejam na escola, mas também as obriga a trabalhar para ajudar a família. Dessarte, se as desigualdades sociais se mantiverem, as taxas de analafabetismo permanecerão em crescimento.

De outra parte, é válido salientar que a defazagem escolar prejudica o desenvolvimento do indivíduo na sociedade. Sob essa ótica, o filósofo Paulo Freire, em sua obra “Pedagogia do Oprimido”, defende que a educação e libertadora e capaz de mostrar novas perspectivas ao indivíduo marginalizado. Todavia, a alfabetização tardia -aquela que ocorre depois dos 6 anos de idade - afeta o ideário proposto por Freire, já que o analfabetismo inviabiliza a entrada no ensino superior e no mercado de trabalho. Nesse contexto, o cidadão é abandonado às margens da marginalidadade, o que aumenta, em larga escala, os índices de criminalidade. Assim, embora o Brasil almeje tornar-se desenvolvido, é incoerente manter seu povo analfabeto.

Há de se buscar, portanto, alternativas para combater o analfabetismo desde a infância. Nesse sentido, o Ministéria da Educação, em consonância com as prefeituras  municipais, devem cooperar para solucionar a escassez de recursos - principalmente a falta de aliemento e material escolar- , por meio de projetos sociais que garantam refeições básicas e sejam capazes de criar um ambiente favorável para que a alfabetização ocorra até os 6 anos de idade. Essa iniciativa poderia se chamar “Alfabetização no tempo certo” e teria a finalidade de promover o ensino de qualidade, de modo que os cidadãos possam, em breve, experimentar, com êxito, a educação libertadora proposta por Paulo Freire.