Alternativas para reduzir o analfabetismo funcional no Brasil
Enviada em 06/01/2021
No filme “Central do Brasil”, um dos clássicos brasileiros, passa-se a história de Dora, uma ex-professora amargurada que ganha dinheiro escrevendo cartas para analfabetos na central do Rio de Janeiro com a falsa promessa de enviá-las aos seus familiares. De maneira análoga, o enredo retrata a realidade de muitos brasileiros os quais se encontram em total vulnerabilidade por não saberem ler e escrever, o que se configura como um grande desafio no Brasil. Essa realidade se deve, essencialmente, a uma desigualdade socioeconômica existente no país, bem como de um preconceito enraizado sobre o analfabetismo.
Em primeiro plano, pode-se destacar o impacto da disparidade social como uma das causas do problema. Nesse ínterim, de acordo com o índice de Gini, medida que classifica o grau de desigualdade de um país, o Brasil está entre as 10 nações mais desiguais do mundo. Sob essa lógica, tal situação força os estudantes de famílias carentes à evasão escolar, para que contribuam com a renda do lar cada vez mais cedo, logo é inquestionável a existência de uma segregação das camadas mais pobres da sociedade. Desse modo, essa segregação é identificada na elaboração da tese da “subcidadania”, escrita pelo sociólogo José Souza, que denuncia a situação dos menos favorecidos, os quais precisam abrir mão da educação para garantir o próprio sustento. Diante disso, a persistência desse cenário corrobora para o aumento no entrave social.
Outrossim, é preciso destacar a falta de empatia como um dos fatores que validam a persistência da problemática. A esse respeito, segundo Mário Sérgio Cortella, grande filósofo contemporâneo, a nação brasileira é tão preconceituosa que o usa o termo “analfabeto” como ofensa. Nesse sentido, essa ação é um crime social, uma vez que é indicado cruelmente ao próximo de modo uma ser responsabilidade exclusiva dele. Dessa forma, enquanto parcela da população que é privilegiada, for tão preconceituosa ao ponto de insultar o outro de tal maneira, mais jovens e adultos temerão à prática do retorno aos estudos por tamanha rejeição.
Portanto, é mister que o Estado tome providências que amenizem o quadro. Acerca disso, o Governo Federal deve, por meio de verbas governamentais, oferecer aos menos favorecidos auxílios financeiros, para que incentive-os a permanecerem na escola, a fim de evitar a condição de segregação das camadas periféricas e proporcionar condições igualitárias de aprendizagem a toda a população. Ademais, urge ao Ministério da Educação e Cultura (MEC), por intermédio do amplo debate entre famílias, Estado e professores, criar novos métodos de ensino eficaz, com objetivo de transformar a educação brasileira, diminuir o preconceito e, consequentemente, o analfabetismo funcional no Brasil.