Alternativas para reduzir o analfabetismo funcional no Brasil

Enviada em 07/01/2021

A obra “A Cidade do Sol’’, do escritor italiano Tommaso Campanella, retrata uma sociedade perfeita, na qual o corpo social padroniza-se pela ausência de conflitos e problemas. No entanto, o que se observa na realidade contemporânea é o oposto do que o autor prega, uma vez que o aumento do índice de analfabetismo funcional no Brasil apresenta barreiras, as quais dificultam a concretização dos planos de Campanella. Nesse contexto, a ineficiência estatal contribui diretamente para a permanência dessa problemática, o que gera muitos impactos negativos na vida da população.

Nessa perspectiva, deve-se ressaltar a falta de medidas governamentais para combater o analfabetismo funcional no país. Partindo desse pressuposto, o planejamento da educação pública, na maioria das escolas, visa apenas a alfabetização e não o letramento, ou seja, os professores ensinam ler e escrever, mas não como interpretar, decodificar códigos e formular argumentos. Essa conjuntura, segundo as ideias do filósofo contratualista John Locke, configura-se como uma violação do “contrato social”, já que o Estado não cumpre sua função de garantir que os cidadãos desfrutem de direitos indispensáveis, por exemplo, educação de qualidade.

Ademais, é válido destacar que o analfabetismo funcional traz inúmeras consequências negativas para o indivíduo. De acordo com os pensamentos do filósofo Kant, “o homem é aquilo que a educação faz dele”, ou seja, a falta de um ensino público eficiente faz com que muitas pessoas fiquem sujeitas a não desenvolver o senso crítico e passam a apresentar dificuldades na hora de formar opiniões próprias, o que afeta diretamente em seu convívio social. Sob esse viés, os casos de desemprego, insucesso na carreira, compartilhamento de fake News, dificuldade de discernir o que é verdadeiro do que é falso tende a tornar essa parcela populacional massa de manobra na sociedade. Logo, é inadmissível que esse cenário continue a pendurar.

Portanto, a questão do analfabetismo funcional é uma problemática para o Brasil que requer a criação de políticas públicas. Para tanto, é imprescindível que o governo – entidade máxima do poder– crie projetos educativos nas escolas públicas, principalmente, sobre o letramento. Tal ação deve ser executada por meio do Ministério da Educação, com a formulação de palestras, jogos de interpretação e criação de debates entre os alunos, a fim de desenvolver a capacidade crítica e de argumentação nas fases iniciais dos estudantes. Somente assim, será possível acabar com o analfabetismo funcional e tornar os cidadãos mais capacitados de discernir as informações.