Alternativas para reduzir o analfabetismo funcional no Brasil

Enviada em 10/01/2021

Em 1964, Mafalda - personagem fictício de Quino - criticou o comportamento humano contra as mazelas sociais, alegando viver em um mundo baseado na irresponsabilidade, seja no campo político, seja na área social. Talvez ela apontasse para a fragilidade do sistema público de educação no combate ao analfabetismo funcional, a qual, por falta de investimentos em programas educativos de estímulo à conscientização, promove a discriminação. Assim, é necessário impulsionar uma maior reflexão acerca dos desafios enfrentados para solucionar essa problemática.

A princípio, vale ressaltar os obstáculos encontrados na luta pelo acesso ao ensino. Nesse sentido, Mário de Andrade afirmava que o histórico mundial deve ser utilizado como mecanismos de reflexão e de aprendizagem, com vistas a permitir que a população evolua de maneira distinta ao passado. Esse pensamento pode usado para se referir ao início da Terceira Revolução Industrial, quando a sociedade, predominantemente capitalista, acreditava que os avanços tecnológicos iriam aprimorar o proceso educacional por meio da flexibilização do tempo de estudo, com o intuito de obter alto grau de vendas de ferramentas tecnológicas independente dos impactos causados na educação do indivíduo. Tendo em vista tais fatores, observa-se a construção de uma cultura que banaliza a falta de concentração na leitura pelo uso excessivo da internet e discrimina o cidadão com analfabetismo funcional.

Além disso, é evidente que a influência do ensino no cultivo de uma ótica social mais consciente, em relação ao aprimoramento da leitura, estabelece a base para o desenvolvimento de uma coletividade mais informatizada e menos discriminatória. Contudo, a ausência de investimentos pelo Ministério da Educação em aulas, palestras e gincanas escolares, ambas capazes de promover meios para a concentração e interpretação de textos, contribuem para a o aumento do analfabetismo funcional no Brasil. Prova disso, segundo dados do site O Globo, o brasileiro lê, em média, apenas cinco livros por ano, cujo valor é considerado abaixo do indicado pelas instituições de ensino.

Depreende-se, portanto, que ações contra o analfabetismo funcional devem ser imediatamente iniciadas. Para tanto, o Ministério da Educação, órgão responsável pelo ensino nacional, deve investir em programas de educação social para estimular uma mudança comportamental dos habitantes sobre a importância de desenvolver o hábito da leitura. Isso ocorrerá por intermédio da disponibilização de locais para o surgimento dos ‘‘mutirões do aprendizado’’, os quais se baseiam em eventos não somente para discutir sobre o analfabetismo funcional e o seu combate, mas também distribuir livros físicos, com o objetivo de maximizar a capacidade de interpretação de textos. Dessa forma, busca-se construir um mundo com menos irresponsabilidade humana, cujo local Mafalda pudesse elogiar.