Alternativas para reduzir o analfabetismo funcional no Brasil

Enviada em 08/01/2021

A ativista paquistanesa conhecida como Malala arriscou sua vida várias vezes ao declarar que educação é essencial para o desenvolvimento de todos na sociedade, argumento que vai contra os padrões de seu país de origem. Apesar de não ser proibido expressar essa opinião no Brasil, seu posicionamento se faz necessário diante do cenário de crescente taxa do analfabetismo funcional no território nacional. Nesse sentido, é preciso analisar tal quadro, intrisecamente ligado a aspectos econômicos e a cultura brasileira de descaso na criação dos jovens.

Em primeiro lugar, cabe ressaltar a falta de investimentos necessários do Governo para o funcionamento pleno da educação pública no país. Com isso, as escolas não conseguem sustentar suas instalações, prejudicando os meios de aprendizado dos alunos. Esse descontento, aliado a necessidades socioeconômicas de famílias com menos renda, pressiona jovens a procurar trabalho, consequentemente, resultando na elevada quantidade de evasão escolar no país. Essa saída precoce os priva do desenvolvimento crítico e da prática constante de leitura, formando cada vez mais analfabetos funcionais. Em meio ao retratado, mostra-se pertinente o dizer do economista britânico Arthur Lewis: “Educação nunca foi despesa. Sempre foi investimento com retorno garantido”.

Em segundo lugar, pode-se comentar que não é dever apenas das instituições de ensino proverem recursos para que as crianças consigam compreender a leitura, cabe também à família participar desse processo. No entanto, essa não é a realidade de muitas crianças, que ainda se veem sem suporte nesse espaço. Esse auxílio é essencial para que se aprenda novos vocábularios, contruibuindo para o desenvolvimento do pensamento crítico por meio de diálogos. Para ilustrar como isso ocorre, é possivel fazer uma analogia com o a dialética hegeliana, essa consiste em um conjunto de indagações e suas respectivas reflexões, propiciando a superação de um impasse argumentativo e o aprofundamento intelectual, mostrando-se eficaz no processo de aprendizagem.

Portanto, são necessárias medidas capazes de combater a problemática do analfabetismo funcional no Brasil. Visando amenizar o quadro, é papel do Governo Federal direcionar recursos para instituições de ensino por meio da definição de uma agenda econômica. Assim, as escolas conseguiriam prover espaços adequados de aprendizado e desenvolvimento, sendo então capazes de mostrar as vantagens da alfabetização até mesmo para um futuro com salários melhores. Em paralelo, cabe à família se envolver na vida das crianças através do diálogo, aumentando seu repertório sociocultural e contribuindo para o processo da diáletica hegeliana. Dessa forma, o país estaria mais apto a lidar com a problemática.