Alternativas para reduzir o analfabetismo funcional no Brasil

Enviada em 09/01/2021

De acordo com o filósofo francês Sartre, “o ser humano é livre e responsável; cabe a ele escolher seu modo de agir”. Desse modo, quando observamos os problemas e consequências negativas do ensino público no Brasil, percebemos que escolhas errôneas são tomadas em determinados setores, o que contribui para a persistência desse imbróglio. Sob essa ótica, nota-se uma grande taxa de analfabetismo funcional no país. Nesse contexto, sobressaem-se dois principais agravantes: a falta de interesse dos alunos na busca do aprendizado e a negligência do Estado diante da péssima aplicação de recursos públicos.

Em primeira análise, um entrave é a mentalidade retrógrada de parte da população, que age como se o fato de estar presente numa sala de aula e decorar matérias totalizassem o processo de aprendizado. De fato, tal atitude se relaciona ao pensamento do antropólogo Darcy Ribeiro, o qual define o pacto de mediocridade, quando na relação professor e aluno há uma aceitação quanto ao falso aprendizado e ao falso ensinamento, em que o professor finge que dá aula, enquanto o aluno finge que aprende. Um exemplo disso é a pesquisa realizada pelo IBOPE inteligência, a qual revelou que 30% dos brasileiros são analfabetos funcionais, ou seja, sabem ler, no entanto não são capazes de interpretar textos em situações do dia a dia. Logo, é notório que essa forma de relação é uma das causas do problema.

Ademais, outro desafio a enfrentar é a inobservância estatal, uma vez que o Governo nem sempre aprova políticas públicas que incentivem os professores e os deixem motivados em relação ao exercício da profissão, bem como negligenciam os investimentos em infraestrutura no ambiente de trabalho do educador. Desse modo, o aluno que está em processo de aprendizagem é negligenciado pelo Estado. Contudo, cabe ressaltar que a Constituição Federal de 1988 prevê o direito à educação. Entretanto, percebe-se que a normatividade citada não é efetiva. Logo, tem-se outra causa desse problema.

Entende-se, diante do exposto, com o intuito de reduzir o analfabetismo funcional no Brasil, é irrefutável que mudanças devem ocorrer. Nesse sentido, o Ministério da Educação, mediante o direcionamento correto de verbas públicas, deve criar um programa de incentivo aos professores para que possam sentir-se bem remunerados e consequentemente motivados no ambiente de trabalho. Além disso, Secretarias de Educação do Estado e do Município devem criar parcerias para melhorar a infraestrutura local das escolas e estabelecimentos de ensino, para que recursos tecnológicos possam ser usados para aumentar a capacidade de aprendizagem dos alunos. Sendo assim, o pacto de mediocridade deixará de ter efeito e as taxas de analfabetismo funcional diminuirão no país.