Alternativas para reduzir o analfabetismo funcional no Brasil

Enviada em 14/01/2021

De acordo com o Artigo Sexto da Carta Magna brasileira, a educação é um direito social de todo cidadão. Infelizmente, tal direito não tem sido resguardado, visto que, segundo pesquisa realizada pelo Instituto Paulo Montenegro, em 2015, 4 em cada 10 brasileiros são incapazes de interpretar textos, ou seja, são analfabetos funcionais. Diante disso, o debate acerca das motivações que acarretam tal situação e quais as medidas que podem revertê-lo é urgente.

Em primeira análise, a evasão escolar é uma das principais causas de analfabetismo funcional no Brasil. Conforme pesquisa do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), em 2018, 97% das crianças e adolescentes frequentavam a escola. Porém, entre os jovens de 15 a 17 anos, a taxa de abandono escolar foi de 8,8%. Esses dados apontam que o ensino médio representa um funil na educação do país, pelo qual os jovens que precisam trabalhar para auxiliar no sustento de seus lares não passam. Ademais, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), o índice de gravidez na adolescência registrado no Brasil é um dos maiores da América Latina, o que corrobora para que os futuros pais deixem os estudos em busca de oportunidades no mercado de trabalho.

Em segunda análise, de acordo com o sociólogo Darcy Ribeiro, vigora no Brasil o que ele conceitua como “pacto da mediocridade”: os professores, mal remunerados, fingem que ensinam; enquanto os alunos, desinteressados, fingem que aprendem. Essa tese é exemplificada no seguinte trecho da música “Estudo Errado”, de Gabriel, O Pensador: “Quase tudo que aprendi, amanhã já esqueci”. Essa canção deixa clara a ineficiência das escolas brasileiras em formar cidadãos proeficientes e críticos. Desse modo, hodiernamente, ou os estudantes de escolas públicas da nação abandonam os colégios e não recebem educação formal, ou se graduam, mas não recebem ensino de qualidade. Por isso, é necessário que as instituições de ensino se tornem atrativas para todos os estudantes, inclusive para os que evadiram o sistema educacional.

Logo, para reduzir o índice de analfabetismo no Brasil, o Ministério da Educação deve investir na formação dos professores, por meio de cursos de atualização, baseados em grandes pedagogos, tais como Paulo Freire, o qual, em sua obra Pedagogia do Oprimido, defende a educação a partir de elementos do cotidiano do discente. Nesse contexto, o aluno estará familiarizado com os elementos utilizados em seu processo educacional e será ativo no processo de aprendizagem.  Outrossim, programas de pesquisa devem ser criados para que os alunos possam estudar e desenvolver atividades complementares que lhes gerem renda, de modo que não necessitem ingressar no mercado de trabalho. Assim, será possível reverter o cenário apresentado pela canção “Estudo Errado”.