Alternativas para reduzir o analfabetismo funcional no Brasil
Enviada em 09/01/2021
Na obra “Utopia”, do escritor e filósofo inglês Thomas More, é retratada uma sociedade perfeita, na qual o corpo social padroniza-se pela ausência de conflitos e problemas. Fora da ficção, no entanto, o que se observa no Brasil contemporâneo é o oposto do que o autor apresenta, uma vez que o analfabetismo funcional exibe barreiras, as quais dificultam a concretização das ideias de More. Esse cenário antagônico é fruto do deficiente processo educacional brasileiro e tem como uma de suas consequências a proliferação de notícias falsas.
De início, vale destacar que a educação é o principal fator no desenvolvimento de um país. Nesse sentido, tendo em vista que o Brasil está entre os dez colocados na economia mundial, seria racional acreditar que a nação possui um sistema de ensino eficiente. Contudo, a realidade é justamente o oposto e o resultado desse contraste é claramente refletido na alta parcela de analfabetos funcionais entre a população, haja vista que na maioria das escolas públicas o ensino é extremamente precário ocorrendo, dessa forma, a formação de indivíduos com limitações para ler e sem capacidade de interpretar textos simples. Assim, torna-se primordial a reformulação dessa postura educacional de forma urgente.
Faz-se mister, ainda, ressaltar a propagação das chamadas “fake news” como resultado da problemática supracitada. A respeito disso, uma pesquisa divulgada pelo Indicador de Analfabetismo Funcional mostrou que somente 7 em cada 10 brasileiros não se caracterizam como analfabetos funcionais. Nessa lógica, 30% da sociedade são potenciais disseminadores de notícias fraudulentas, levando em conta que esses sujeitos não possuem as habilidades fundamentais para analisar textos, muito menos para detectar quais matérias são verdadeiras e quais não, contribuindo com a desinformação ao compartilhar as inverídicas. Dessa maneira, verifica-se uma das inúmeras consequências do analfabetismo funcional.
É evidente, portanto, a necessidade de medidas para a amenização do quadro atual. Para tanto, cabe ao Estado, por meio de verbas governamentais, investir no aprimoramento do ensino público do país, especialmente do fundamental, etapa importante no processo de aprendizagem no que concerne à leitura e escrita, a fim de gerar indivíduos completamente alfabetizados. Desse modo, os impactos negativos do analfabetismo funcional no Brasil seriam, em médio e longo prazo, amenizados e a coletividade estaria, finalmente, um passo mais próxima da “Utopia” de Thomas More.