Alternativas para reduzir o analfabetismo funcional no Brasil
Enviada em 10/01/2021
De acordo com o sociólogo Émile Durkneim, para o desenvolvimento pleno de uma sociedade, é imprescindível a presença da “solidariedade orgânica”, a qual consiste na interdependência e na diversidade entre os indivíduos, de modo a gerar um meio coeso e harmônico. Todavia, o analfabetismo no Brasil, com destaque para o funcional, denota uma ruptura dessa diretriz solidária, haja vista que a inoperabilidade do Governo na promoção de boas oportunidades educacionais aos mais pobres faz-se presente, assim como a forte influência da tecnologia sobre o comportamento das pessoas, principalmente, das que apresentam baixa escolaridade, ainda ocorrem no âmbito coletivo. Portanto, urge a necessidade de que medidas sejam tomadas pelo Estado para a minimização desse desafio.
Segundo Kant, “o homem é o que a educação faz dele”. Entretanto, o governo neoliberal prioriza a economia em detrimento das demandas coletivas, inclusive da educação, panorama evidenciado por um número considerável de analfabetos na sociedade. Esse cenário é agravado pela desqualificação salarial sofrida pelos profissionais da educação e pelo fornecimento precário dos materiais necessários à condução das aulas de maneira adequada. Como reflexo, essa dificuldade de alcance a uma escolarização de qualidade não se mostra um prejuízo ao indivíduo apenas, mas à sociedade como um todo, uma vez que esse processo não só intensifica como também colabora para a permanência das disparidades socioeconômicas.
Vale ressaltar, ainda, a forte influência exercida pela tecnologia sobre as maneiras de pensar, agir, ser e sentir dos indivíduos, principalmente, sobre aqueles que apresentam uma baixa escolaridade. A partir de 1970, com a Terceira Revolução Industrial, ocorreu o surgimento da Internet, ferramenta criada não para facilitar a disseminação de informações e para promover a comunicação entre as pessoas de forma mais rápida e eficaz. Contudo, ocorre na atualidade, o compartilhamento intenso de notícias falsas e informações enganosas nas redes sociais, denotando um grave problema coletivo. Como reflexo, os analfabetos funcionais, por não possuírem uma capacidade analítica bem estruturada, mostram-se vulneráveis ao conteúdo desses materiais.
Logo, enquanto a educação não for percebida como uma prioridade estatal e enquanto a forte influência da tecnologia sobre o comportamento dos seres se fizer presente, o ideal de Durkheim não estará consolidado no âmbito coletivo. Nota-se portanto que, o Estado, por meio do Ministério da Educação, deve promover uma reforma no sistema de ensino, com a valorização dos profissionais da área, o fornecimento adequado de materiais escolares e a implementação da leitura, análise e debates de textos relevantes como forma de desenvolver o pensamento crítico dos futuros cidadãos.