Alternativas para reduzir o analfabetismo funcional no Brasil
Enviada em 10/01/2021
A Constituição Federal, de 1988, prevê o acesso à educação como um direito fundamental ao cidadão. No entanto, observa-se justamente o contrário quanto à questão do analfabetismo, uma vez que, no Brasil, o percentual de analfabetos funcionais está em constante crescimento, segundo reportagem do G1. Nesse contexto, percebe-se a configuração de um grave problema de contornos específicos, em virtude do legado histórico, bem como pela falta de debate.
A princípio, a falta de um melhor entendimento histórico sobre a formação da sociedade brasileira caracteriza-se como um complexo dificultador. Sob essa ótica, de acordo com o antropólogo Claude Lévi-Strauss, só é possível interpretar adequadamente a conjuntura social atual por meio do entendimento dos eventos históricos. Nesse sentido, a quantidade expressiva de pessoas com dificuldade em ler e escrever, mesmo que fortemente presente no século XXI, apresenta raízes intrínsecas ao passado colonial brasileiro, uma vez que, naquele cenário, o acesso à educação de qualidade foi elitizado, o que excluiu parte considerável da população ao acesso de um ensino básico. Assim, como consequência, diversas famílias pobres não priorizam a educação de seus filhos, o que dificulta seu extermínio por forças externas.
Além disso, outra dificuldade enfrentada é a falta de debate acerca do tema. Nesse sentido, o filósofo Foucault defende que, na sociedade pós-moderna, alguns temas são silenciados para que as estruturas de poder sejam mantidas. Desse modo, é possível perceber uma lacuna no que se refere ao debate em torno do analfabetismo funcional e suas consequências na sociedade, que ainda é muito silenciada nos meios políticos, visto que, segundo reportagem do Estadão, apenas 10% dos recursos educacionais são destinados a políticas de combate ao analfabetismo. Evidencia-se, portanto, que é necessário discutir amplamente tal assunto, pois, assim, será possível atuar com mais eficiência em relação ao problema.
Logo, medidas estratégicas são necessárias para alterar esse cenário. Portanto, as escolas, em parceria com a prefeitura, devem promover a criação de um espaço para rodas de conversa e debates em torno do analfabetismo funcional, com o objetivo de conscientizar a população sobre o problema. Sendo assim, tais eventos podem ocorrer no período extraclasse, contando com a presença de professores e convidados especialistas no assunto. Além disso, esses eventos não devem se limitar aos alunos, mas ser abertos à comunidade, a fim de que mais pessoas compreendam questões relativas à educação e se tornem cidadãos atuantes na busca por resoluções.