Alternativas para reduzir o analfabetismo funcional no Brasil
Enviada em 10/01/2021
A Constituição Federal, em seu artigo 6º, garante a educação como sendo um direito social fundamental. Contudo, o atual crescimento do analfabetismo funcional vai de encontro a essa legislação, uma vez que desqualifica e restringe a vida de muitos brasileiros. Nesse sentido, urge traçar alternativas que visem reduzir essa realidade, que se intensifica pela falta de incentivo das escolas à leitura o que, por sua vez, corrobora para a criação de indivíduos com baixo nível crítico.
À priori, é importante salientar que, para o cidadão conseguir interpretar textos, é fundamental que desde cedo ele seja incentivado a ler, pois é árduo o indíviduo interessar-se na idade adulta. Nessa perspectiva, segundo dados coletados pelo jornal O Globo, setenta e cinco por cento da população nunca frequentou uma biblioteca na vida. Sobre isso, uma das causas do brasileiro não gostar da ler são os tipos de livros cobrados como leitura obrigatória nas salas de aula, que são tidos pelos alunos como “chatos” e desestimulantes, como: Dom Casmurro, O Cortiço, Memórias de um Sargento de Milícias, etc. Torna-se claro, portanto, que as escolas não estão tendo sucesso em despertar jovens leitores, o que acarreta para a intensificação do problema.
Por conseguinte, a falta de incentivo na escola corrobora para a criação de indivíduos mais suscetíveis à desinformação. Sobre isso, o filósofo Immanuel Kant afirma que o ser humano é aquilo que a educação faz dele. A contundência dessas palavras alicerça a ideia de que o cidadão desprovido da alfabetização plena não possui a capacidade de analisar, criticamente e de forma satisfatória, o que chega até ele. Nesse sentido, no mundo globalizado, onde a sociedade utiliza as redes sociais como a principal ferramenta de comunicação, um dos maiores impactos do analfabetismo funcional é que as pessoas ficam mais propícias a compartilhar notícias e imagens manipuladas e usadas em contexto falso, como as “fake news”, por exemplo. Logo, torna-se necessária uma mudança nesse cenário.
Fica evidente, portanto, que é preciso haver uma modificação na atitude das escolas perante essa adversidade. Por isso, com a ajuda do Ministério da Educação, essas instituições devem reformar o currículo escolar, para que o aluno se interesse pelas obras literárias e absorva o máximo possível de conhecimento ensinado. Sendo relevante, ainda, a mudança dos livros de atual leitura obrigatória cobrada. Ademais, faz-se necessário que os professores, por meio do diálogo, conversem com seus alunos a fim de entender e quebrar a resistência deles à leitura. Só assim, haverá a criação de indivíduos com capacidade de ler e interpretar textos e, portanto, os índices de analfabetismo funcional diminuirão.