Alternativas para reduzir o analfabetismo funcional no Brasil
Enviada em 12/01/2021
No mito da caverna, Platão entende que o homem, quando não possui acesso ao conhecimento, encontra-se numa situação análoga à de uma pessoa presa em uma caverna, onde o que prevalece é a escuridão. Na atualidade brasileira, o analfabetismo funcional representa a caverna da analogia platônica, na medida em que tal problema restringe grande parte do potencial humano. Assim, de modo a aplacar essa situação, há de se reafirmar os benefícios de uma educação satisfatória, bem como analisar o que contribui para a existência dessa problemática.
Com efeito, uma educação de qualidade confere benesses inestimáveis ao homem, tais como as bases para o desenvolvimento do intelecto. Nesse sentido, esse benefício livra o indivíduo da caverna alegórica de Platão, haja vista que o conhecimento e o entendimento de mundo o tornam apto a pensar por conta própria. Tal raciocínio dialoga com conceito de maioridade, do filósofo Immanuel Kant, no qual se defende a necessidade de as pessoas buscarem desenvolver o próprio intelecto, de forma a impedir, ou mesmo interromper, o controle e a influência intelectual por outrem. Dessa forma, infere-se que o analfabetismo funcional coloca-se como um obstáculo à exploração do potencial individual.
De outra parte, apesar de o arcabouço jurídico brasileiro asseverar o direito à educação de qualidade, na prática, nota-se um ultraje a essa diretriz. Tal situação vai de encontro ao pensamento de John Locke, haja vista que, segundo esse filósofo contratualista, quando há o contrato social, cabe ao Estado fazer vigorar os direitos dos cidadãos. Destarte, as pessoas, por não serem adequadamente educadas, enfrentam dificuldades em diversos âmbitos da vida, sobretudo no momento de entrar no mercado de trabalho, o que fere o contrato social, uma vez que traz prejuízos à cidadania. Vê-se, pois, uma postura indevida do poder público perante o analfabetismo funcional.
À vista disso, depreende-se a importância de mitigar essa problemática de caráter educacional. Para tanto, de modo a desenvolver o intelecto da população, cabe ao Ministério da Educação, em cooperação das prefeituras municipais, espalhar centros educacionais em várias regiões dos municípios do território Brasileiro. Esse bem público deve conter professores bem capacitados, que, mediante atividades didáticas e simples, devem ajudar não apenas os jovens, mas também os que abandonaram os estudos há bastante tempo. Com essas medidas, é possível combater o analfabetismo funcional, contribuindo para alcance da maioridade kantiana.