Alternativas para reduzir o analfabetismo funcional no Brasil

Enviada em 11/01/2021

“Quase tudo que aprendi, amanhã já esqueci. Decorei, copiei, memorizei mas não entendi”. Esse trecho integra a canção “Estudo errado”, de Gabriel Pensador, publicada em 1995. Mais de 20 anos depois, evidencia-se, hodiernamente, que o cenário brasileiro acerca do analfabetismo funcional permanece ainda degradante e caótico. Nesse contexto, apresentam-se como catalisadores dessa realidade não só a decadência do sistema educacional, mas também a negligência estatal.

Primeiramente, é importante atentar-se à precariedade do processo alfabetizador do Brasil. Nesse sentido, a má remuneração dos professores, aliada à desestruturação física das escolas, corrobora a falta de motivação dos docentes, bem como, o gradativo desinteresse dos discentes em aprender. Por essa ótica, Darcy Ribeiro, antropólogo brasileiro, em sua obra “Educação como prioridade”, defende o conceito de “Pacto da mediocridade”, segundo o qual os professores, mal assistidos em sua profissão pela falta de recursos, fingem que ensinam enquanto os alunos, pela falta de incentivo, fingem que aprendem. Portanto, essa conjuntura expressa-se como um campo fértil à erupção do contingente de analfabetos funcionais que, embora saibam reconhecer caracteres e algarismos, são incapazes de compreender textos simples, bem como realizar operações matemáticas mais elaboradas.

Em segunda análise, evidencia-se também a displicência estatal como um agravante do número de analfabetos funcionais. À luz desse panorama, mesmo que a Constituição assegure o direito à educação de modo a tornar o cidadão crítico e intelectualmente preparado, percebe-se que essa premissa não é efetivada. A principal razão para ponderar tal argumento é que, de acordo com o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), 29% dos componentes da população economicamente ativa brasileira são analfabetos funcionais. Logo, é perceptível que o Poder Público não cumpre seu papel enquanto agente fornecedor das minimalidades à nação, haja vista que, ao não incentivar a leitura e o desenvolvimento analítico dos alunos por olimpíadas, condescende com a permanência dos direitos somente no papel.

Sendo assim, é necessário alçar medidas para diminuir o índice de analfabetos no país. Para isso, o Ministério da Educação, por meio do incentivo à isenção fiscal de empresas privadas, deve recolher recursos para instituir professores auxiliares nas escolas, a fim de mitigar, especialmente como lacunas dos alunos em interpretação de textos e matemática. Ademais, é importante que projetos como “Arca das letras” sejam novamente introduzidos nas escolas dos extremos geográficos, um fim de incentivo a leitura desde a infância. Assim, será possível, em um futuro próximo, será possível alterar o cenário observado pela música de Gabriel Pensador.