Alternativas para reduzir o analfabetismo funcional no Brasil
Enviada em 11/01/2021
Na obra audiovisual brasileira “Que horas ela volta?” aborda-se a história de uma empregada pernambucana e analfabeta funcional, que abandona a escola para trabalhar, quando vai para o Rio de Janeiro sente na pele as dificuldades por não entender textos simples. Apesar de ser uma ficção, tal perspectiva pode ser relacionada com as alternativas para reduzir o analfabetismo funcional no Brasil. Assim, como forma de atenuar essa problemática na sociedade brasileira, é essencial analisar seus principais fatores motivadores, dentre os quais destacam-se a falta da abordagem no âmbito escolar e a negligência governamental.
Em primeiro plano, cabe notar o papel do ensino na formação de indíviduos engajados. Paulo Freire, marcante educador brasileiro, afirma que a educação é capaz de mudar as pessoas, e somente elas são responsáveis por transformar o mundo. Esse pensamento explicita a importância da incorporação dos debates no currículo didático, a respeito da mobilização social, visto que cidadãos sem conhecimento sobre as dificuldades de um analfabeta funcional no Brasil, reflete na evasão escolar, posto que a escola não promove projetos que façam o aluno a refletir sobre o quanto é necessário ser alfabetizado e entender textos e matemática básica. Dessa forma, constata-se que a falta no ambiente educacional compromete a construção de um futuro adulto mais consciente.
Em segundo plano, é essencial salientar a displicência estatal como agravadora do aumento do analfabetismo funcional no Brasil. Sob esse viés, Montesquieu, filósofo iluminista, em sua obra “O espiríto das leis” constrói um conceito de Estado em que o governo deveria ser um mero executor das vontades da população. No contexto contemporâneo, em tese, seu modelo foi adotado, porém, na prática o ideal montesquiano não tem reverberado, visto as precariedades de sistema de alfabetização eficiente e campanhas publicitárias incentivando a leitura. Desse modo, tais precariedades são um empecilho, posto que permeia a passividade popular, no que tange ao bem-estar coletivo.
Torna-se evidente, portanto que a falha no ambiente escolar e a negligência estatal são grandes barreiras para a sociedade moderna. A fim de construir futuros adultos mais conscientes e preocupados, o Poder Público, por meio do Ministério da Educação, deverá criar aulas de debate sobre a importância da alfabetização e conclusão do Ensino Médio para o mercado de trabalho. Isso será feito a partir da reestruturação do currículo escolar. Ademais, o Governo Federal, por intermédio da mídia, deverá criar ficções engajadas que abordem o analfabetismo funcional de forma crítica e real, com a finalidade de incentivar a sociedade a leitura e a não abandonar a escola. Com isso, será possível idealizar uma futura sociedade em que o analfabetismo funcional diminua.