Alternativas para reduzir o analfabetismo funcional no Brasil

Enviada em 11/01/2021

No filme “Central do Brasil”, drama brasileiro de 1998, uma ex-professora Dora trabalha como escritora de cartas para analfabetos em uma estação de trem do Rio de Janeiro, com uma falsa promessa de enviá-las. Embora ficcional, uma narrativa dialoga com a realidade brasileira ao evidenciar a vulnerabilidade que não dominam a leitura e a escrita. Nesse cenário, destaca-se como principal causa do problema o descaso do Poder Público, somado à desigualdade socioeconômica.

Em uma primeira análise, deve-se apontar uma omissão do governo no que tange a superação do analfabetismo funcional. Segundo o Siga Brasil, sistema de acompanhamento do orçamento federal, programas de assistência à alfabetização sofrendo grandes reduções de orçamento desde 2014. Além disso, nossas escolas ainda formam cidadãos com pouca capacidade de interpretação de textos simples, frutos da baixa qualidade da educação brasileira, que está entre as posições piores em Pisa, o mais importante ranking mundial de educação.

Ademais, é fundamental enfatizar a desigualdade socioeconômica como impulsionadora do analfabetismo funcional no Brasil, visto que influencia fortemente a evasão escolar. Nesse sentido, dados do IBGE confirmam que o percentual de jovens oriundos de classes profundamente desiguais que abandonaram a escola em 2018 é oito vezes maior que o dos jovens mais ricos, em consequência da urgência em trabalhar e ajudar no orçamento do lar. Assim, torna-se persistente a presença do problema.       Portanto, faz-se improrrogáveis ações interventivas com o fito de amenizar a questão. Para isso, a União deve, por meio do Ministério da Educação, aperfeiçoar as metodologias de ensino, a fim de levar o aluno a análises críticas dos fatos abordados em sala de aula. A realização de atividades culturais como a abertura de clubes de leituras coletivas, peças de teatro e debates, originará cada vez menos analfabetos funcionais. Feito isso, poderemos, gradativamente, nos distanciar da infeliz realidade exposta em “Central do Brasil”.