Alternativas para reduzir o analfabetismo funcional no Brasil
Enviada em 12/01/2021
A Constituição Federal de 1988, prevê, em seu atigo 6º, a educação como inerente a todos os cidadãos. Entretanto,uma significativa parcela da sociedade tem deficiência nesse direito constitucional, pois, mesmo alfabetizados, encontram dificuldades na compreensão de assuntos interdisciplinares, situação definida como analfabetismo funcional. Nesse contexto, assegura-se a prevalência do ensino arcaico e a alienação social como pilares da problemática. Portanto, urgem medidas para que essa realidade mude, pelos riscos que traz ao desenvolvimento educacional das pessoas.
Em primeira análise, é válido ressaltar a negligência do ensino vigente como suporte ao analfabetismo funcional. Nesse viés, indo ao encontro a filosofia contratualista de John Locke, o Estado é fundamental para garantir, através das leis, os direitos naturais dos indivíduos. Com base nisso, a forma de ensino aplicada no país é arcaica, visto que prioriza matérias propedéuticas, deixando de lado o ensino diversificado e dinâmico que é útil ao cotidiano, que vai da interpretação de bulas de remédios a manuais de instrução. Dessa forma, as pessoas não tem acesso a uma boa compreensão cotidiana de situações necessárias, o que leva a um quadro de analfabetismo funcional. Sob essa ótica, se vê a necessidade da reformulação do ensino do pais, através de leis que garantam o direito pleno da educação dos indivíduos.
Outrossim, é fundamental apontar a alienação da indústria cultural como impulsionadora do comodismo das pessoas na interpretação do mundo em sua volta. Nessa linha de raciocínio, de acordo com a perspectiva filosófica de Theodor Adorno, a indústria cultural visa o lucro e tende a massificar e uniformizar os gostos dos indivíduos. Interpreta-se, assim, que, os meios da indústria cultural, tais como redes sociais, propagandas e anúncios, tendem a massificar o pensamento das pessoas, fazendo com que prevaleça a zona de conformo, negligenciando o pensamento crítico. Logo, é imperioso a autonomia e o empoderamento das pessoas para que esse cenário de analfabetismo funcional não continue a perdurar.
Dado o exposto, medidas são necessárias para mitigar o analfabetismo funcional no país. Para isso, o Ministério da Educação deve ampliar a grade curricular de ensino, implementando aulas interdisciplinares, no intuito de deslocar o aluno a um nível mais coloquial para que o mesmo possa fazer a interpretação de vários textos, e tenha a capacidade de diferenciar fato de opinião. Ademais. cabe as pessoas, utilizarem o bom senso como ferramenta de empoderamento individual, filtrando as notícias da indústria cultural, evitando acreditar em tudo que se é visto, a fim de observar o mundo de forma crítica. Sendo assim, poder-se-á garantir o artigo 6º da constituição brasileira.