Alternativas para reduzir o analfabetismo funcional no Brasil

Enviada em 12/01/2021

No filme “Central do Brasil”, drama brasileiro de 1998, passa-se a história de Dora, uma ex-professora que trabalha como escritora de cartas para analfabetos em uma estação de trem do Rio de Janeiro, com a falsa promessa de enviá-las. Embora ficcional, a narrativa dialoga com a realidade brasileira ao evidenciar a vulnerabilidade dos que não dominam a leitura e a escrita. Nesse cenário, destaca-se como principal causa do problema o descaso do Poder Público, somado à desigualdade socioeconômica.

Em uma primeira análise, deve-se apontar a omissão do governo no que tange à superação do analfabetismo funcional. Segundo o Siga Brasil, sistema de acompanhamento do orçamento federal, programas de assistência à alfabetização vêm sofrendo grandes reduções de orçamento desde 2014. Além disso, nossas escolas ainda formam cidadãos com pouca capacidade de interpretação de textos simples, frutos da baixa qualidade da educação brasileira,  que não apresenta estratégias pedagógicas diversificadas, com base nos interesses, habilidades e necessidades de cada um. Não por acaso, está entre as piores posições no Pisa, o mais importante ranking mundial de educação.

Ademais, é fundamental enfatizar a desigualdade socioeconômica como impulsionadora do problema, visto que influencia fortemente a evasão escolar. Nota-se, que crianças e jovens oriundos de classes profundamente desiguais têm dificuldades para acessar a escola, bem como manter sua permanência, pois muitos têm urgência em trabalhar para ajudar no orçamento do lar, provocando incompatibilidade no horário para os estudos. Ainda convém lembrar, que não ter condições mínimas de alimentação e vestuário para frequentar a escola ou não ter estrutura em casa para realizar os deveres de casa, corroboram para o abandono prematuro.

Portanto, fazem-se improrrogáveis ações interventivas​​ com o fito de amenizar a questão. Para isso, a União deve, por meio do Ministério da Educação, aperfeiçoar as metodologias de ensino através da realização de atividades culturais, como a abertura de clubes de leituras coletivas, peças de teatro e debates. Assim, as escolas formarão cidadãos capazes de fazer análises críticas dos temas abordados em sala de aula, além de interpretar os mais variados textos, dos mais diversificados gêneros. Feito isso, poderemos, gradativamente, nos distanciar da realidade tão próxima exposta em “Central do Brasil”.