Alternativas para reduzir o analfabetismo funcional no Brasil

Enviada em 13/01/2021

O conhecimento e a perpetuação das desigualdades

No filme “Central do Brasil”, a professora Dora, personagem de Fernanda Monte Negro, cobra para escrever cartas que, supostamente, será entregue para os familares daqueles que não possuem conhecimento para fazê-la, o que revela uma desigualdade linguística entre a população. Para além da ficção, de modo análogo, a preocupante questão do analfabetismo funcional no Brasil se mostra um problema social de extrema relevância, visto que cerceia os cidadãos de gozarem de plenos direitos, como previsto na Constituição de 1988, além de intensificar a disparidade social entre a população.

Em primeira análise, a Constituição Federal, garante tanto a igualdade perante a lei (artigo 5º), quanto o direito a educação, lazer e proteção (artigo 6º), entretanto a realidade social se configura de maneira distinta, já que grande parcela da população não disfruta amplamente de seus direitos em virtude do déficit educacional. Segundo dados do Indicador de Alfabetismo Funcional (Inaf), em 2018, 30% dos brasileiros eram analfabetos funcionais, além disso apenas 12% possuem “proeficiência”, ou seja, são capazes de entender plenamente as informações e realizarem contas básicas. Ademais, tais dados alarmantes direcionam para um cenário social no qual o conhecimento sobre seus direitos e deveres são limitados devido à dificuldade de interpretação.

Outrossim, a questão revela um cenário ainda mais preocupante no Brasil, evidênciado pelo fortalecimento das desigualdades sociais e do preconceito. Por conseguinte, a pesquisa também indicou que grande parte das evasões são em decorrencia da necessidade de trabalhar, o que reflete diretamente na formação da sociedade. Em adição, o filósofo contemporêneo Mário Cortella, expõe que o termo “analfabeto” é usado de maneira pejorativa, de modo que é usado na manutenção da hierarquia social. Posto isso, tal como no filme, as pessoas com um maior conhecimento podem utilizar desse artifício para benefício próprio, mesmo quando é um direito constitucional o acesso a educação de maneira íntegra.

Destarte, ressalta-se a necessidade de alternativas para reduzir o analfabetismo funcional no Brasil, na busca de igualdade social. Para tal, o Poder Executivo, por meio do Ministério da Cidadania, deve promover oficinas no Centros de Referência em Assistência Social (CRAS), voltadas para o público em geral, sobretudo os jovens adultos. Tais atividades devem ocorrer de modo dinâmico, com filmes e leituras simples, progredindo gradualmente, promovendo a discussão de temas sociais pertinentes. Para que dessa maneira, mais pessoas possam ter acesso a educação de modo efetivo, visando uma redução nas desigualdades sociais, para que todos possam compreender amplamente seus direitos.