Alternativas para reduzir o analfabetismo funcional no Brasil
Enviada em 12/01/2021
Em sua música “Estudo Errado”, Gabriel O Pensador critica a forma de ensino extremamente conteudista, passiva e pouco aplicável ao cotidiano que se faz presente no país. À vista disso, o analfabetismo funcional consiste na incapacidade de interpretar e escrever textos simples, além da inaptidão para realização de cálculos matemáticos básicos por indivíduos que tiveram acesso à educação. Nesse aspecto, esse quadro preocupante que influencia nos elevados índices de desemprego está relacionado, sobretudo, à alta taxa de evasão escolar no Brasil.
Dessa forma, conforme dados da pesquisa realizada pelo Instituto Paulo Montenegro, em parceria com a ONG Ação Educativa, 3 a cada 10 jovens e adultos de 15 a 64 anos são considerados analfabetos funcionais. Assim, um dos principais fatores a ser enfrentado consiste no abandono da escola pelo aluno antes do fim do ciclo escolar. Essa ruptura está diretamente relacionada com a forma de ensino no Brasil, que, segundo o educador e filósofo Paulo Freire, em sua obra “Pedagogia da Autonomia”, se dá de forma vertical, na qual o professor apenas deposita informações na mente do aluno, sem influenciar seu senso crítico e o deselvolvimento de sua criatividade. Assim, esse fato motiva o desinteresse desses discentes pela leitura e pelos estudos.
Consequentemente, esses indivíduos não são de fato preparados para integrar o ramo das atividades trabalhistas, dado que são praticamente incapazes de decodificar textos - a exemplo de artigos e notícias - e podem acabar sendo expostos às condições socioeconômicas mais vulneráveis por falta de remuneração digna. À prova disso, pesquisa realizada em 2018 pela ManPower, maior empresa de contratação do mundo, revelou que, apesar das altas taxas de desemprego, sobram vagas no mercado de trabalho, visto que aproximadamente 43% das empresas têm dificuldades para contratar funcionários, motivada pela falta de qualificação profissional.
Portanto, com o intuito de combater o analfabetismo funcional no Brasil e promover a formação de leitores, é necessário que o Ministério da Educação, associado às ONGs voltadas para este setor, promova projetos e ações de incentivo à leitura e aos estudos. Isso deve ser feito por meio da mudança da grade escolar – mediante contratação de especialistas inspirados na metodologia ativa proposta por Paulo Freire – e da realização de oficinas literárias gratuitas, para que situações como a exposta por Gabriel O Pensador em sua música se tornem ultrapassadas.