Alternativas para reduzir o analfabetismo funcional no Brasil
Enviada em 12/01/2021
No filme “Central do Brasil”, um clássico brasileiro, passa-se a história de uma amargurada ex-professora que ganha dinheiro escrevendo cartas para analfabetos na central do Rio de Janeiro com a falsa promessa e enviá-las a seus familiares. De maneira análoga, o longa-metragem retrata a realidade de milhões de brasileiros os quais tiveram acesso à educação, porém, não sabem ler nem escrever, o que se configura o desafio no Brasil. Nesse âmbito, é lícito destacar como principais causas da permanência do problema o deficitário método de ensino brasileiro e o preconceito enfrentado pelos analfabetos digitais.
Em princípio, vale ressaltar que segundo Darcy Ribeiro – renomado antropólogo brasileiro – a escola no Brasil realiza um pacto de mediocridade, um a vez que, professores mal remunerados e alunos desinteressados fingem que ensinam e fingem que aprendem, respectivamente. Nessa perspectiva, é notório como o método de educação do país, em sua maioria, é ineficiente, explicitando dados divulgados pelo IBGE, onde 65% dos estudantes que chegam ao ensino médio são considerados analfabetos funcionais. Desse modo, o que se observa é uma incapacitação em massa da população, acarretando no aumento do desemprego e, caso não sejam tomadas atitudes para mudar tal cenário, na permanência dessa problemática.
Ademais, é imprescindível citar o preconceito sofrido por pessoas em situação de analfabetismo funcional no Brasil. Sob essa ótica, de acordo com Mário Sérgio Cortella, filósofo contemporâneo brasileiro, a nação brasileira é tão preconceituosa que utiliza o termo “analfabeto” como ofensa. Isso, que é um crime social, determina como sendo responsabilidade exclusiva dele. Dessa maneira, enquanto tal parcela privilegiada da sociedade for tão preconceituosa a ponto de insultar o próximo dessa maneira, mais adultos, que têm oportunidade de voltar a estudar, hesitarão por tamanha rejeição.
Depreende-se, portanto, a urgência de medidas interventivas com o fito de amenizar a recorrência de tal problemática. Nesse sentido, o Governo Federal em conjunto ao Ministério da Educação deve, por meio de investimentos em capacitação de professores e políticas públicas de incentivo à alfabetização de adultos, promover plena capacitação da população e combate ao analfabetismo funcional como um tumor da sociedade. Desse modo, a efetivação de tal medida promoverá a interrupção de tal problemática cíclica que, a longo prazo, acarretará em uma homogeneização social, garantindo que realidade como a de “Central do Brasil” se restrinja somente ao cinema.