Alternativas para reduzir o analfabetismo funcional no Brasil
Enviada em 13/01/2021
Na série “Coisa mais linda”, retratada na década de 60, Adélia, uma mãe jovem solo e negra, é analfabeta e encontra impecilhos ao receber a proposta de Malu para ser sócia de um clube, já que sabia apenas assinar seu nome. Tal questão transcende a arte, pois há, hodiernamente, brasileiros não funcionalmente alfabetizados, ou seja, pessoas que demonstram dificuldades de interpretação e escrita mesmo após terem frequentado a escola em alguma etapa de suas vidas. Sob esse contexto, deve-se discutir a negligência estatal na área educacional que tem como uma das consequências a privação do exercício da cidadania para esses indivíduos. Logo, é imprescindível que o Governo assuma sua responsabilidade para buscar solucionar a problemática no cenário contemporâneo.
Convém ressaltar, a princípio, que o não investimento do Estado para transmutar a baixa qualidade de ensino é um óbice para mitigar o analfabetismo funcional. Dessa maneira, o pensamento do economista britânico, Arthur Lewis, de que a educação não é desperdício, mas sim investimento com retorno garantido, não é colocado em prática no Brasil. Com isso, há o sucateamento das instituições de ensino e, elas, sem meios financeiros para prover melhorias e trazer mecanismos didáticos que possam trabalhar as especificidades dos alunos, como por exemplo jogos educativos que auxiliem em cálculos matemáticos, contribuem para a precária alfabetização do indivíduo.
Em virtude disso, o pleno exercício dos direitos dos cidadãos assegurados pela Constituição Federal de 1988 se torna prejudicado para a parcela social que tem limitações na alfabetização. Isto é, de acordo com o sociólogo Thomas Marshall, o indivíduo que carece de formação educacional não alcança sua cidadania, ou seja, por não possuir capacidades interpretativas ou o senso crítico para compreender sua realidade, o analfabeto funcional fica omisso na luta por seus direitos sociais e se sente desamparado pelo Estado. Dessa maneira, o analfabetismo não é reduzido e limita/incapacita cidadãos.
Em suma, é fundamental tomar medidas para garantir que a problemática abordada não se faça presente no futuro. Para isso, o Estado, deveria proporcionar a reestruturação do ensino e qualificação das escolas através do desvio de verbas mensais, a fim de tornar as instituições aptas para ensinar. Ademais, o Ministério da Educação, deveria garantir que os atuais analfabetos enfrentem seus problemas educacionais, por meio de um curso gratuito presencial e/ou online, ministrado por professores para inserir esses indivíduos na parcela social alfabetizada. Assim, a situação mostrada na série supracitada será restrita ao cinema no Brasil.