Alternativas para reduzir o analfabetismo funcional no Brasil
Enviada em 13/01/2021
O seriado mexicano “Chaves” exibe um episódio em que o protagonista precisa ler uma carta enviada por Chiquinha, no entanto, Chaves apresenta dificuldades para realizar tal tarefa. Fora da ficção, a realidade de muitos brasileiros é análoga, pois são muitas as pessoas que possuem extrema dificuldade na compreensão de textos simples, logo, estes se caracterizam como analfabetos funcionais. Neste contexto, a desigualdade social aliada ao modelo de ensino ofertado são fatores que geram essa problemática.
Em primeira análise, a desigualdade social é um grande fator que aumenta o analfabetismo funcional no país. Segundo estudos realizados pelo Programa das Nações Unidas do Desenvolvimento (PNUD), o Brasil é o sétimo país mais desigual do mundo. Sob esse âmbito, é evidente que indivíduos de baixa renda, que sofrem com a precariedade de acesso ao sistema escolar brasileiro, são os indivíduos mais propensos a serem eternos analfabetos funcionais.
Em segunda análise, o modelo de ensino tradicional no Brasil é o bancário, no qual o professor deposita os conhecimentos no aluno e espera que ele os reproduza. De acordo com o educador Paulo Freire, a educação problematizadora é a ideal, pois desperta a consciência dos mais desfavorecidos da sociedade e os fazem questionar a realidade. Sendo assim, é visível que o modelo de ensino precisa estimular o estudante a participar ativamente na aprendizagem para ser capaz de ter pensamentos críticos e ideias autorais.
Portanto, é imprescindível que alternativas sejam criadas para reduzir o analfabetismo funcional no Brasil. Urge, então, que a Secretaria de Educação remodele o modelo de ensino bancário atual para um modelo de educação libertadora, por meio de um projeto de lei que se baseie nos ensinamentos de Paulo Freire, com o fito de desmistificar a ideia de que o aluno deve somente aceitar o que lhe for passado, ao passo que, com a nova educação, ele se tornará questionador de sua realidade. Ademais, o Estado deve investir na educação pública e criar projetos para democratizar ainda mais o acesso a tal ensino. Dessa forma, não haverá desigualdade ou analfabetismo funcional que proíba as pessoas de alcançar sucesso profissional ou pessoal.